Eça Sobre as Conferências – 2


O Sr. ministro do Reino fez entregar por um empregado de polícia ao Sr. Zagalo, director do Casino, um papel – reaccionário pela intenção, mas demagógico pela gramática – em que se notificava que, por ordem superior, estavam fechadas as conferências democráticas.

Conheces já decerto, leitor sensato e honrado, o protesto dos conferentes, a adesão de outros cidadãos, a opinião da Imprensa…e achas certamente na tua consciência que esse acto do Sr. Marquês de Ávila, não tendo de certo modo equidade, não tem de modo algum legalidade; que é sobretudo profundamente inábil. E que o Sr. Marquês, dando um «golpe de Estado» contra alguns escritores que no Casino faziam crítica de História e de Literatura, foi criar uma atitude política onde só havia um intuito científico.

(…) Homens que o Governo obriga a fazer um protesto num café, na agitação de trezentas pessoas; a percorrerem as redacções dos jornais, seguidos de uma multidão indignada; a colocarem-se como defensores da consciência ofendida – esses parecem-se terrivelmente com homens de uma acção política! As conferências desceram assim da sua serenidade filosófica: estão na luta, estão na discussão da «Carta», estão na prosa da «Gazeta do Povo»!

Vejamos a legalidade do facto. Num país constitucional, temos sempre aberta sobre a mesa a Carta Constitucional – ou para descansar nela o charuto, ou para tirar dela um argumento.

Uma Campanha Alegre

 

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