Isaac Asimov

16667Viveu entre 1920 e 1992. Escritor e professor de bioquímica na Universidade de Boston, conhecido sobretudo pelas obras de ficção científica. Foi um autor prolífico, tendo escrito ou editado mais de 500 livros e cerca de 90 mil cartas e postais.

Asimov é visto como um mestre no género científico, tendo sido considerado, juntamente com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, um dos «Três Grandes» escritores do género, no seu tempo. Os trabalhos mais famosos incluem as séries Foundation, Galactic Empire e Robot. Os romances da série Galactic Empire decorrem propositadamente num tempo ficcional anterior às obras de Foundation. Mais tarde, fez-se a ligação entre estes e as histórias de Robot, criando-se assim um «futuro» unificado entre todas as histórias. Asimov escreveu centenas de contos, onde se inclui Nightfall –  eleito em 1964 o melhor conto de ficção científica de sempre.

Muitos dos seus livros mais populares explicam conceitos científicos dentro de um contexto histórico, recuando o mais possível no tempo, para uma época em que o conceito em questão estava na sua fase mais primária. Fornece com frequência nacionalidades, datas de nascimento e de óbito para os cientistas mencionados, bem como etimologia e guias de pronunciação dos termos técnicos.

 

Asimov nasceu a 02 de Janeiro de 1920, na Rússia, no seio de uma família judia. Emigraram para os EUA quando ele tinha três anos. Uma vez que os pais sempre lhe falaram em inglês, nunca chegou a aprender russo. Cresceu em Brooklyn, Nova Iorque, tendo aprendido a ler aos cinco anos. Escreveu mais tarde que o pai, «apesar de educado como judeu ortodoxo, não o era de coração, pelo que não recitava as orações tidas como obrigatórias, nem fez qualquer esforço para as ensinar». Ao estabelecerem-se nos EUA, os pais tornaram-se proprietários de várias lojas, para as quais todos na família tinham de trabalhar. Estas vendiam jornais e revistas, algo que Asimov considerou uma grande influência no seu amor à escrita, uma vez que lhe proporcionou uma fonte inesgotável de leituras, impossível de obter de outra forma. Naturalizou-se americano em 1928, com oito anos.

Começou a ler revistas de ficção científica com tenra idade. O pai, por uma questão de princípio, proibia-o de ler as publicações mais comerciais, considerando-as «lixo», mas o filho argumentava sempre que estas tinham a palavra «ciência» no título, pelo que deviam ser consideradas «educacionais». Aos 11 anos começou a escrever as próprias histórias e aos 19, depois de descobrir o mundo dos aficionados do género, começou a vender os trabalhos para as revistas da especialidade.

Asimov frequentou escolas públicas em Nova Iorque. Terminou o liceu aos 15 anos. Na faculdade, começou por se inscrever em Zoologia, mas mudou para Química após o primeiro semestre, por não concordar com a «dissecação de um gato de rua». Terminou o curso de Química em 1941 e fez o doutoramento em 1948. Pelo meio, serviu três anos na II Guerra, embora como civil, em Filadélfia.

Depois dos estudos, associou-se à Faculdade de Medicina de Boston. As funções, contudo, não eram as de professor, pelo que podia dedicar-se inteiramente à escrita, cujos lucros excediam já nesta altura o salário académico. Reteve no entanto o título de professor associado de Bioquímica e em 1979 a Universidade concedeu-lhe a distinção de professor de pleno direito.

Casou-se com Gertrude Blugerman, em 1942. O casal viveu num apartamento em Filadélfia, enquanto ele prestava serviço militar. Mudaram-se depois para Boston em 1949, acabando por assentar em Massachusetts em 1956. Tiveram dois filhos. Em 1970, separaram-se e Asimov regressou a Nova Iorque, desta vez para Manhattan, onde viveu até ao fim da vida. Começou de imediato a encontrar-se com Janet Jeppson, tendo casado com ela duas semanas depois do divórcio de Gertrude.

O autor gostava de se refugiar em espaços pequenos. No terceiro volume da sua autobiografia recorda um desejo de criança, no qual se imaginava dono de uma banca de jornais e revistas situada no metro de Nova Iorque, onde poderia encerrar-se a ler, rodeado pelo ruído dos comboios.

Tinha também medo de voar, tendo-o feito apenas duas vezes em toda a vida. Devido a isso, raramente fez grandes viagens. Esta fobia influenciou também algumas das suas histórias. Nos últimos anos, descobriu o prazer das viagens de cruzeiro, sendo convidado para vários, onde dava palestras sobre assuntos científicos.

Asimov era um orador público por excelência, sendo amigável e acessível nas conferências. Respondia pacientemente a inúmeras perguntas, correio e caçadores de autógrafos.

Sofreu um ataque cardíaco em 1977, tendo sido submetido a um triplo bypass em 1983. Morreu em Abril de 1992, de falência cardíaca e renal.

 

A carreira pode ser dividida em vários períodos:

 – O período inicial, dominado pela ficção científica, teve início em 1939 e os romances em 1950. Esta fase prolongou-se até meados de 1958, terminando com a publicação de The Naked Sun.

 – Passou depois a escrever não-ficção, em 1952. Em 1957, aumentou a sua produção de livros de ciência, o que ofuscou os livros de ficção científica. Nos 25 anos seguintes publicou apenas quatro romances no género.

Asimov sabia que a sua maior contribuição passava pelas «Três Leis da Robótica». Escreveu a primeira história em 1937, que foi rejeitada. Foi no entanto encorajado a continuar, tendo acabado por vender a terceira história no ano seguinte. Seguiram-se outras duas. Em 1940, publicam-lhe sete, em quatro revistas diferentes.

Em 1941, surge então Nightfall, considerada a melhor de sempre no género.

Segundo o autor, esse momento «foi um marco na carreira. De repente era levado a sério e a comunidade de ficção científica passou a saber que eu existia. Com o passar dos anos, tornou-se evidente que tinha escrito um clássico».

Em 1942, publica a primeira história da trilogia Foundation, que relata o colapso e renascimento de um vasto império intergaláctico num universo futurista. Tornou-se um dos seus trabalhos mais famosos, juntamente com a série Robot. Muitos anos depois, obedecendo à pressão dos leitores, Asimov prolongou a série Foundation com Foundation’s Edge (1982) e Foundation and Earth (1986), regressando então atrás no tempo com Prelude to Foundation (1988) e Forward the Foundation (1992).

As suas histórias sobre robótica, muitas delas contidas na colectânea I, Robot (1950) começaram mais ou menos na mesma altura. Nelas se descrevem uma série de regras de ética para robots e máquinas inteligentes, que tiveram enorme influência noutros escritores e pensadores. O autor admite ter sido amplamente inspirado pela forte tendência da época, que se baseava num argumento ao estilo Frankenstein, onde as máquinas se revoltavam e acabavam por destruir os próprios criadores.

Quando uma nova fornada de revistas de ficção científica surgiu nos anos 50, começou a publicar pequenos contos. Mais tarde falaria deste período enquanto «década dourada».

Uma das opiniões mais comuns é a de que a escrita do autor é extremamente simples e directa. Escreveu-se por exemplo sobre I, Robot:

Com excepção de duas histórias, não se nota uma grande predominância de um protagonista. Quase todos os enredos se desenrolam através de conversação, inserida em pouca ou nenhuma acção. Não encontramos sequer grandes descrições ou ambientes. O diálogo é, no máximo, prático, e o estilo é, no máximo, transparente. Toda esta colectânea, e no fundo toda a ficção do autor, é deixada no seu estado mais primitivo.

Asimov responde a estas críticas da seguinte forma:

Decidi há muito tempo obedecer a uma regra essencial na minha escrita: clareza. Desisti completamente de escrever numa linguagem poética, simbólica, experimental, ou de qualquer outro modo que pudesse (se fosse bom o suficiente) granjear-me um Pulitzer. Quero escrever de forma clara, estabelecendo assim uma relação próxima com os meus leitores. Quanto aos críticos profissionais, enfim, que façam o que entenderem.

Outros consideram que:

A sua escrita não cai bem entre os críticos tradicionais porque o autor tem o hábito de centrar as histórias no enredo e declarar com toda a clareza aos leitores o que está a acontecer e porquê. Na verdade, quase todos os diálogos nas histórias possuem essa função. Os enredos que revelam o próprio significado numa linguagem simples são mal digeridos pelos críticos, pois nada resta para interpretar.

Apesar de fazer gala da sua prosa simples, o escritor gostava de rechear as suas histórias mais elaboradas com complicadas estruturas narrativas, muitas vezes através da organização dos capítulos numa ordem não-cronológica. Alguns leitores discordavam desta abordagem, salientando que a ausência de linearidade era inútil e prejudicava a compreensão da história.

O autor foi também criticado pela quase ausência de sexualidade e vida extraterrestre nas suas obras.

Asimov explicou que a sua relutância em escrever sobre outras formas de vida tinha origem num incidente no princípio da carreira, quando uma das suas histórias foi rejeitada pelo facto de ter descrito os extraterrestres como superiores aos humanos. Indisponível para descrever formas de vida inferiores, decidiu simplesmente não as abordar.


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Colecção de nove contos de ficção científica. Surgiram pela primeira vez em revistas da especialidade entre 1940 e 1950, tendo sido depois reunidas num livro único, com tiragem inicial de cinco mil cópias.

As histórias são ligadas entre si através de um contexto onde a personagem Susan Calvin relata cada um dos eventos a um jornalista (narrador) no século XXI. Apesar de poderem ser lidas separadamente, partilham entre si os temas da interacção moral entre humanos e robots, e quando combinadas, espelham uma ideia alargada do autor sobre o tema.

 

 

 

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