Quando falamos de Literatura Espanhola, referimo-nos a literatura (poesia, prosa e teatro) escrita em língua espanhola no interior das fronteiras do Reino de Espanha. Esta coincide e frequentemente interliga-se com outras tradições literárias de regiões situadas nas mesmas fronteiras, sobretudo a Catalunha. No que diz respeito à Galiza, esta apresenta também ligações à tradição latina, judia e árabe, no espaço da Península Ibérica. Outro ramo importante é o que diz respeito à Literatura Latino-Americana, dona de características próprias que datam dos primórdios da conquista espanhola das Américas.
As conquistas romanas e a consequente ocupação da Península Ibérica, iniciada no séc. III A.C., introduziu a cultura latina em terras de Espanha. A posterior chegada dos invasores muçulmanos, acrescentou aspectos culturais do Médio e Extremo Oriente. Na Literatura Espanhola medieval, os primeiros exemplos mesclam aspectos da cultura árabe, judia e cristã. Um dos trabalhos mais famosos é o poema épico «Cantar de Mio Cid», escrito entre 1140 e 1207. A prosa espanhola, por outro lado, só começou a fazer-se notar em meados do século XIII. A poesia lírica, na Idade Média, inclui poemas de cariz popular mas também a poesia cortesã dos nobres. O séc. XV trouxe consigo o pré-Renascimento, e possibilitou um grande aumento da produção literária, que viria a solidificar-se no século seguinte, através de poesia, prosa e literatura religiosa.
É então que surgem as primeiras novelas e romances, nomeadamente «Lazarillo de Tormes» e «Guzmán de Alfarache». No século XVII, época barroca, destacam-se autores como Francisco de Quevedo e Baltasar Gracián, embora o maior de todos seja Miguel de Cervantes, tornado mundialmente famoso devido à obra-prima «Don Quixote de la Mancha». Com esse livro, Cervantes consolida o género conhecido como romance picaresco e estabelece um tipo de ficção narrativa que se tronará no exemplo máximo para muitos romancistas, ao longo da história da literatura espanhola.
No século XVIII, a era do Iluminismo assistiu ao nascimento das obras em prosa de Feijoo, Jovellanos, e Cadalso; à lírica de Juan Meléndez Valdés, Tomás de Iriarte e Félix María Samaniego, e à produção teatral de Leandro Fernández de Moratín, Ramón de la Cruz e Vicente García de la Huerta. O séc. XIX trouxe consigo o Romantismo e com ele a poesia de José de Espronceda e seus contemporâneos, obras em prosa e as peças de Ángel de Saavedra, José Zorrilla, e outros. O Realismo surge no final do século, em paralelo com o Naturalismo, originando os romances de Juan Valera, José María de Pereda, Benito Pérez Galdós, Emilia Pardo Bazán, Leopoldo Alas (Clarín), Armando Palacio Valdés e Vicente Blasco Ibáñez. Na poesia, Ramón de Campoamor, Gaspar Núñez de Arce, entre outros. No teatro, José Echegaray, Manuel Tamayo y Baus, por exemplo. A críticia literária tem o expoente máximo em Menéndez Pelayo.
O Modernismo desagua em diversas correntes, destacando-se o Parnasianismo, o Simbolismo, o Futurismo e o Criacionismo. Com a destruição da frota espanhola nos mares de Cuba, pelos EUA, em 1898, surge uma crise em Espanha que se estende à cultura. Surge então um novo grupo de jovens escritores, liderados por Miguel de Unamuno, Pío Baroja e José Martínez Ruiz (Azorín), que apresenta novos conteúdos e formatos. Já em 1914 – ano em que irrompe a I Guerra Mundial e se publica a primeira grande obra de um dos maiores dessa geração, José Ortega y Gasset – é a vez de surgir um outro grupo de escritores, um pouco mais jovem, que ocupa o seu lugar na cena cultural espanhola. A liderá-los, o poeta Juan Ramón Jiménez, os académicos e ensaístas Ramón Menéndez Pidal, Gregorio Marañón, Manuel Azaña, Eugenio d’Ors, e Ortega y Gasset, além dos romancistas Gabriel Miró, Ramón Pérez de Ayala e Ramón Gómez de la Serna. Por volta de 1920, um novo grupo – na sua maioria poetas – começou a publicar um conjunto de obras que ilustravam as influências recebidas pelos grupos de 1898 e 1914 e comprovavam a ligação destes às academias. Algo semelhante ocorre com os romancistas Benjamín Jarnés, Rosa Chacel, Francisco Ayala e Ramón J. Sender.
A Guerra Civil Espanhola tem um efeito devastador na cultura e desse período destacam-se apenas um punhado de resistentes, em especial Miguel Hernández. Em plena Ditadura de Franco (1939-1955), a literatura subjugou-se à visão reaccionária do líder, defensor de uma segunda «época dourada» do catolicismo espanhol. Em meados dos anos 50, a nova geração nascida em plena Guerra Civil dava os primeiros passos e na década de 60 os autores espanhóis regressaram ao experimentalismo literário. Com a morte de Franco em 1975, procedeu-se à tarefa essencial de restabelecer a democracia, com impacto imediato nas letras espanholas. Nos anos seguintes, surge uma rica geração de novos autores, com destaque para Juan José Millás, Rosa Montero, Javier Marías, Luis Mateo Díez, José María Merino, Félix de Azúa, Cristina Fernández Cubas, Enrique Vila-Matas, Carme Riera, seguindo-se Antonio Muñoz Molina e Almudena Grandes.




E o grande Lorca?
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Aparecerá, tal como outros, nas futuras biografias individuais.
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