Fala-se muito de Wagner, das suas excentricidades, do seu orgulho, do seu génio, dos seus hábitos. Um artista que esteve em casa dele conta-me alguns traços curiosos:
O maestro trabalha num salão enorme, com janelas imensas que abrem sobre um jardim, em cima de uma mesa de mármore. Está por vezes quinze a vinte dias sem escrever uma nota. De repente a imaginação vem, o maestro sente-a e veste imediatamente o seu fato de trabalho. É feito de veludo, à maneira dos camponeses alemães da Renascença. Abre todas as janelas e escreve doze, quinze horas a fio, atirando os papéis de música para o chão, até haver em toda a sala uma camada espessa. Não emenda nem corrige. Quando não trabalha, passeia sozinho, pelos campos adoráveis da localidade, com dois enormes cães da Terra-Nova, que nunca o deixam. Quando entra num café, toda a gente o segue.
Cartas de Inglaterra









