Ramalho Ortigão

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Viveu entre 1836 e 1915. José Duarte Ramalho Ortigão nasceu no Porto, na Casa  de Germalde, freguesia de Santo Ildefonso. Era o mais velho de nove irmãos, filhos do primeiro-tenente de artilharia Joaquim da Costa Ramalho Ortigão e de D. Antónia Alves Duarte Silva Ramalho Ortigão.

Viveu a sua infância numa quinta do Porto com a avó materna, com a educação a cargo de um tio-avô e padrinho, Frei José do Sacramento. Em Coimbra, frequentou brevemente o curso de Direito. Ensinou Francês e dirigiu o Colégio da Lapa no Porto, do qual seu pai havia sido director. Iniciou-se no jornalismo colaborando no Jornal do Porto. Foi colaborador em diversas publicações periódicas, nomeadamente: Acção realista (1924-1926); O António Maria (1879-1885;1891-1898); Branco e Negro (1896-1898); Brasil-Portugal (1899-1914); Contemporânea (1915-1926); Galeria republicana (1882-1883); A Imprensa (1885-1891); O Occidente (1877-1915); A semana de Lisboa: suplemento do Jornal do Comércio (1893-1895); Serões (1901-1911); O Thalassa (1913-1915).

Em 24 de Outubro de 1859 casou com D. Emília Isaura Vilaça de Araújo Vieira, de quem veio a ter três filhos.

Ainda no Porto, envolveu-se na Questão Coimbrã com o folheto «Literatura de Hoje», acabando por enfrentar Antero de Quental num duelo de espadas, a quem apelidou de cobarde por ter insultado o cego e velhinho António Feliciano de Castilho. Ramalho ficou fisicamente ferido no duelo travado, em 06 de Fevereiro de 1866, no Jardim de Arca d’Água.

No ano seguinte, em 1867, visita a Exposição Universal em Paris, de que resulta o livro Em Paris, primeiro de uma série de livros de viagens. Insatisfeito com a sua situação no Porto, muda-se para Lisboa com a família, obtendo uma vaga para oficial da Academia das Ciências de Lisboa.

Reencontra na capital o seu ex-aluno Eça de Queirós e com ele escreve um «romance execrável» (classificação dos autores no prefácio de 1884): O Mistério da Estrada de Sintra (1870), que marca o aparecimento do romance policial em Portugal. No mesmo ano, publica ainda Histórias cor-de-rosa e inicia a publicação de Correio de Hoje (1870-71). Em parceria com Eça de Queirós, surgem em 1871 os primeiros folhetos de As Farpas, de que vem a resultar a compilação em dois volumes sob o título Uma Campanha Alegre. Em finais de 1872, o amigo Eça parte para Havana para exercer o seu primeiro cargo consular no estrangeiro, continuando Ramalho Ortigão a redigir sozinho As Farpas.

Entretanto, tornara-se uma das principais figuras da chamada Geração de 70. Irá acontecer com ele o que aconteceu com quase todos os membros dessa geração: Numa primeira fase, pretendiam aproximar Portugal das sociedades modernas europeias, cosmopolitas e anticlericais. Porém, desiludidos com as luzes europeias do progresso material, voltaram-se numa segunda fase para as raízes de Portugal e para o programa de um «reaportuguesamento de Portugal». É dessa segunda fase a constituição do grupo Os Vencidos da Vida, do qual fizeram parte, além de Ramalho Ortigão, o Conde de Sabugosa, o Conde de Ficalho, o Marquês de Soveral, o Conde de Arnoso, Antero de Quental, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Carlos Lobo de Ávila, Carlos de Lima Mayer e António Cândido. À intelectualidade proeminente da época juntava-se agora a nobreza, num último esforço para restaurar o prestígio da Monarquia, tendo o Rei D. Carlos I sido, significativamente, eleito por unanimidade «confrade suplente do grupo».

Na sequência do assassínio do Rei, em 1908, escreve D. Carlos o Martirizado. Com a implantação da República, em 1910, pede imediatamente a Teófilo Braga a demissão do cargo de bibliotecário da Real Biblioteca da Ajuda, escrevendo-lhe que se recusava a aderir à República «engrossando assim o abjecto número de percevejos que de um buraco estou vendo nojosamente cobrir o leito da governação». Saiu em seguida para um exílio voluntário em Paris, onde vai começar a escrever as Últimas Farpas (1911-1914) contra o regime republicano. O conjunto de As Farpas, mais tarde reunidas em quinze volumes, a que há que acrescentar os dois volumes das Farpas Esquecidas, e o referido volume das Últimas Farpas, foi a obra que mais o notabilizou por estar escrita num português muito rico, com intuitos pedagógicos, sempre muito crítico e revelando fina capacidade de observação. Eça de Queirós escreveu que Ramalho Ortigão, em As Farpas, «estudou e pintou o seu país na alma e no corpo».

Regressa a Portugal em 1912 e em 1914 dirige a célebre Carta de um Velho a um Novo, a João do Amaral, onde saúda o lançamento do movimento de ideias políticas denominado Integralismo Lusitano:

A orientação mental da mocidade contemporânea comparada à orientação dos rapazes do meu tempo estabelece entre as nossas respectivas cerebrações uma diferença de nível que desloca o eixo do respeito na sociedade em que vivemos obrigando a elite dos velhos a inclinar-se rendidamente à elite dos novos.

Vítima de cancro, recolheu-se na casa de saúde Dr. Henrique de Barros, na então Praça do Rio de Janeiro, em Lisboa, vindo a falecer em 27 de Setembro de 1915, na sua casa da Calçada dos Caetanos, na Freguesia da Lapa.


AS FARPAS

 

 

Uma admirável caricatura da sociedade da época. Altamente críticos e irónicos, estes artigos satirizavam, com muito humor à mistura, a Imprensa e o jornalismo partidário ou banal; a Regeneração, e todas as suas repercussões, não só a nível político mas também económico, cultural, social e até moral; a Religião e a fé católica; a mentalidade vigente, com a segregação do papel social da mulher; a literatura romântica, falsa e hipócrita. 

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