Allen Ginsberg

transferirViveu entre 1926 e 1997. Foi poeta, filósofo e escritor. Considerado um dos líderes, primeiro da Geração Beat na década de 50 e depois da Contracultura que lhe sucedeu. Opunha-se ferozmente ao militarismo, ao materialismo económico e à repressão sexual, sendo ainda conhecido por aprovar o uso de drogas, censurar o peso da burocracia na vida comum e revelar interesse pelas religiões orientais. Juntamente com Jack Kerouac e William S. Burroughs, forma o trio de escritores mais famoso da Geração Beat.

Ginsberg ficou famoso à conta do poema Uivo, no qual denuncia o poder destrutivo do Capitalismo e da Apatia nos Estados Unidos. Em 1956, o texto foi censurado pelas autoridades americanas. Em 1957, acabou por granjear enorme publicidade ao dar origem a um processo por obscenidade, uma vez que continha descrições de sexo hétero e homossexual, numa altura em que a Lei vigente considerava a homossexualidade um crime. Uivo denunciava as preferências sexuais do autor, bem como os vários relacionamentos que manteve com diferentes homens, incluindo Peter Orlovsky, o seu companheiro de vida. A decisão final do Tribunal decretou que o poema não era obsceno, acrescentando:

O que restaria da liberdade de imprensa ou de discurso se tudo fosse reduzido a eufemismos inócuos e vazios?

O autor era budista e estudava detalhadamente religiões orientais. Levava uma vida simples, comprava a roupa em lojas de segunda-mão e habitava apartamentos modestos na zona Este de Nova Iorque.

Durante décadas, juntou-se a manifestações cívicas de cariz pacífico, com destaque para as que se opunham à Guerra do Vietname e à Guerra contra as Drogas. A sua obra reflecte quase sempre uma tenaz persistência na luta contra «o imperialismo político e o desprezo pelos oprimidos».

Foi galardoado com prémios de prestígio em 1974 e 1979, chegando mesmo a ser finalista do Prémio Pulitzer, em 1995.

 

Ginsberg nasceu no seio de uma família judia, sediada em Newark, tendo depois crescido numa cidade próxima chamada Paterson. Logo em adolescente, começou a escrever cartas para o «The New York Times» versando assuntos políticos, como a Segunda Guerra ou os Direitos do Trabalho. Já no Secundário, tomou contacto com a obra de Walt Whitman, inspirado por um professor.

Em 1943, concluiu os estudos obrigatórios e obteve uma bolsa para a Universidade de Columbia. Dois anos depois, viu-se obrigado a entrar na Marinha Mercante, de modo a financiar o prosseguimento dos estudos. Na Universidade, embrenhou-se a fundo na vida literária estudantil, colaborando com jornais e revistas, participando com sucesso em concursos de poesia e presidindo grupos de leitura e debate.

Contudo, também viveu episódios insólitos, nomeadamente quando foi obrigado a passar vários meses internado numa instituição psiquiátrica, depois de ter alegado insanidade numa audiência em Tribunal. O caso dizia respeito a um processo por ocultação de produtos roubados (que o autor escondeu no seu quarto). De notar que os artigos não eram dele, mas de um conhecido.

Ginsberg referiu-se aos pais, numa entrevista de 1985, enquanto «polidos filósofos da velha guarda». O pai, Louis Ginsberg, era professor de Secundário e poeta publicado. A mãe, Naomi Livergant Ginsberg, sofria de uma doença do foro psicológico, nunca diagnosticada correctamente. Era também membro activo do Partido Comunista, tendo levado o autor e o irmão deste, Eugene, a diversas reuniões. Allen recorda que a mãe tinha o hábito de contar histórias para adormecer, que terminavam todas da mesma forma:

«O Rei justo desceu do castelo, viu o sofrimento do povo e socorreu-o».

Acerca do pai, recorda:

O meu pai andava pela casa a recitar Emily Dickinson e Longfellow, ou então a criticar T. S. Eliot por ter arruinado a poesia com o seu ‘obscurantismo’. Acabei por não confiar em nenhum deles.

A doença da mãe manifestava-se com frequência através de paranóia. Costumava alegar, por exemplo, que o Presidente mandara instalar aparelhos de escuta no lar dos Ginsberg, ou que a sogra estava a tentar matá-la. Tal matriz de desconfiança fez com que esta se aproximasse cada vez mais do jovem Allen, o seu «bichinho de estimação».

A dada altura, tentou o suicídio cortando os pulsos e foi de imediato levada para um hospital psiquiátrico. É neste tipo de instituições que ficará durante boa parte da juventude do autor. A situação da mãe servirá de inspiração para dois importantes trabalhos de Ginsberg: Uivo e o extenso poema autobiográfico «Kaddish».

No primeiro ano em Columbia, o autor conheceu Lucien Carr, que o apresentou a vários dos futuros integrantes da Geração Beat, incluindo Jack Kerouac, William S. Burroughs e John Clellon Holmes. Tornaram-se amigos ao identificarem uns nos outros a mesma esperança entusiasmada acerca do potencial da juventude americana, que extravasava em muito as fronteiras da doutrina «mcarthista» do Pós-Guerra que amarrava o país. Ginsberg e Carr mantinham animados debates sobre uma «Nova Visão» para a Literatura e para os EUA. O amigo também lhe apresentou Neal Cassady, por quem Ginsberg desenvolveu um prolongado interesse. No primeiro capítulo do seu romance de 1957, «Pela Estrada Fora», Kerouac faz questão de descrever o encontro entre os outros dois. Considera-os Luz (Cassady) e Sombra (Ginsberg), análise em parte influenciada pela associação de Allen ao Comunismo, situação que desagradava sobremaneira a Kerouac. Apesar daquele nunca ter sido membro do Partido, Jack apelidou-o de «Carlo Marx» no livro, atitude que azedou a amizade entre os dois.

Também em Nova Iorque, Ginsberg conheceu Gregory Corso num bar chamado «Pony Stable». Este, ex-presidiário, tinha obtido o patrocínio dos donos do bar e estava nesse noite a escrever alguns poemas no local. O autor confessa que se sentiu de imediato atraído pelo outro, que era hétero mas não discriminava homossexuais, à conta do que vira durante os três anos de reclusão. Ginsberg ficou ainda mais seduzido ao ler os textos de Corso, considerando-o «espiritualmente dotado». Decidiu apresentá-lo ao restante grupo. O novo membro atreveu-se a mostrar a Allen um poema específico acerca de uma mulher que vivia do outro lado da rua e tinha o hábito de tomar banhos de sol à janela, totalmente nua. Devido a extraordinária coincidência, esta era nada menos do que a namorada de Ginsberg, com quem ele decidira viver durante uma «tentativa de heterossexualidade». Este levou Corso até ao apartamento e informada da situação, a mulher acabou por fazer uma proposta sexual ao recém-chegado. O outro, ainda muito novo, recusou e depressa se foi embora, intimidado. Ginsberg havia apresentado Corso a Kerouac e Burroughs, tendo o grupo começado a viajar em conjunto. Ginsberg e Corso tornaram-se amigos e colaboradores para a vida.

Pouco tempo depois, Allen envolveu-se com Elise Nada Cowen, após conhecê-la através de Alex Greer, professor universitário de Filosofia e ex-companheiro desta. Enquanto estudante, Elise Cowen lera detalhadamente a poesia de Ezra Pound e T. S. Eliot, antes de conhecer os poetas Beat Joyce Johnson e Leo Skir.

Através desta, Ginsberg descobriu que tinham um amigo em comum, Carl Solomon, a quem este dedicou mais tarde o poema Uivo. O texto é considerado uma autobiografia do autor até 1955, bem como um resumo do percurso da Geração Beat.

No ano de 1948, num apartamento em Harlem, Ginsberg teve uma alucinação auditiva enquanto lia a poesia de William Blake (episódio mais tarde conhecido como «A Visão de Blake»). De início, o autor alegou ter ouvido a voz de Deus, mas concluiu mais tarde tratar-se da voz do próprio poeta inglês, também descrita por Ginsberg enquanto «voz dos tempos antigos». O fenómeno parece ter durado alguns dias, levando o autor a acreditar que acabara de experimentar a conectividade do Universo. Observando o barroco de uma lareira, concluiu que este havia resultado de «uma mão humana», tendo depois observado o firmamento e intuído que este teria de ser igualmente o produto de «uma mão», ou antes, que o Céu era a própria mão que se criava. Confirmou que esta alucinação não derivava de qualquer consumo de drogas, apesar de confessar que procurara à posteriori recriar a experiência através do seu uso. Segundo o autor:

…não se trata de dizer que o Céu nasceu da mão de uma entidade, mas que o Céu é a entidade que se criou a si mesma. Ou talvez Deus estivesse diante de mim – sendo a Existência o próprio Deus. Considero que foi um despertar súbito para a existência de um Universo muito mais profundo e real do que aquele onde tenho vivido.

Ginsberg mudou-se para São Francisco durante a década de 50. Antes da publicação de Uivo e Outros Poemas, em 1956, o autor trabalhou na área do Marketing.

No ano de 1954, Allen conheceu Peter Orlovsky (1933-2010), por quem se apaixonou e que se transformou no seu companheiro de vida.

Acabou também por conhecer vários poetas, mais tarde associados ao Movimento Beat, através do patrocínio do seu mentor na cidade, William Carlos Williams. É inserido (e com o auxílio) neste grupo que o autor funda uma revista de poesia – «Beatitude».

Foi também abordado, em meados de 1955, para organizar um evento com leituras de poesia, num local chamado «Six Gallery». Começou por recusar, mas após preparar um primeiro rascunho de Uivo, «mudou a merda da opinião», nas suas palavras. Apelidou o evento de «Seis Poetas na Six Gallery» e as futuras leituras neste local, em diversas ocasiões, fazem hoje parte da mitologia do Movimento Beat. Contudo, foi a noite inicial a que maior importância teve para o autor, já que foi nesta que ocorreu a primeira leitura pública do famoso poema, texto aliás que alicerçou a sua reputação e a de outros associados. Um relato desse momento pode ser lido no romance de Kerouac, «Os Vagabundos do Dharma».

Em 1957, Ginsberg apanhou de surpresa o mundo literário ao abandonar São Francisco. Depois de um breve período em Marrocos, este e Peter Orlovsky juntaram-se a Gregory Corso, em Paris. Este último levou-os para um alojamento de segunda categoria localizado por cima de um bar, que acabou por ficar conhecido como «Hotel Beat». Depressa receberam a companhia de Burroughs e outros. Revelou-se uma época produtiva para todos eles. Foi lá que Ginsberg deu início ao seu poema épico «Kaddish», Corso estruturou «Bomb and Marriage» e Burroughs (com o auxílio dos outros dois) organizou «Festim Nu», a partir de outros textos. Esta fase durou até 1963. Depois disto, Allen e Orlovsky viajaram prolongadamente pela Índia, tendo passado seis meses em Calcutá e outros locais. O primeiro aproveitou a estadia para formar amizades com jovens poetas nativos.

Por volta de Maio de 1965, Ginsberg viaja até Londres e voluntaria-se para fazer leituras gratuitas. Pouco depois, acaba por se apresentar na livraria «Better Books», momento considerado por várias pessoas «um marco na História de Inglaterra ou pelo menos da Poesia Inglesa».

Apesar do termo «Beat» estar associado sobretudo a Ginsberg e amigos próximos (Corso, Orlovsky, Kerouac, Burroughs, etc.), a designação «Geração Beat» acabou por abranger muitos outros poetas conhecidos de Allen, sobretudo na transição entre as décadas de 50 e 60. Em resumo, ser amigo de Ginsberg redundava quase sempre nesse carimbo. O mesmo se podia dizer (à partida) dos amigos de Kerouac ou Burroughs, mas ambos fizeram por se dissociar desse rótulo, numa fase posterior. Parte deste desagrado provinha do facto de muita gente considerar Ginsberg o líder do movimento, embora o autor nunca tenha concordado com isso, limitando-se a explicar que muitos dos seus amigos tinham ideias e objectivos literários semelhantes.

Allen acabou por, mais tarde, estabelecer pontes entre os «Beat» dos 50 e os «Hippies» dos 60, tornando-se amigo de Bob Dylan, por exemplo.

Logo em 1960, o autor precisou de tratamento para uma doença tropical, tendo sido especulado que contraíra hepatite através de uma agulha não esterilizada, utilizada por um médico na administração de uma vacina. Ginsberg era fumador crónico e embora tenha procurado deixar o hábito por questões religiosas e de saúde, o estilo de vida intenso dificultou-lhe a tarefa, acabando por torná-la impossível.

Já na década de 70, sofreu duas tromboses ligeiras, mal diagnosticadas como paralisia facial, situação que lhe afectou diversos músculos de um dos lados do rosto.

Nos anos seguintes, foi sendo perturbado por ligeiros mas constantes problemas, tais como pressão arterial alta, por exemplo. Muitos dos sintomas estavam relacionados com o stress e estilo de vida, mas o autor nunca alterou o seu quotidiano.

Por fim, em 1997, ao regressar mais uma vez de um hospital, onde recebera tratamento inadequado para um problema de coração, Ginsberg decidiu fazer um longo conjunto de telefonemas, despedindo-se de todos os que faziam parte da sua lista de contactos. Algumas das chamadas, incluindo uma para Johnny Depp, revelaram-se tristes e entrecortadas com choro, mas outras tornaram-se alegres e optimistas.

Acabou por falecer no seu apartamento de Nova Iorque, rodeado de familiares, não resistindo a um cancro de fígado. Contava 70 anos.

O amigo William Burroughs morre quatro meses depois.


Uivo-e-Outros-Poemas

Conjunto de poemas publicado em 1956. Contém o texto mais famoso do autor, Uivo, mas também «A Supermarket in California», «Transcription of Organ Music», «Sunflower Sutra», «America», «In the Baggage Room at Greyhound» e outros textos mais antigos.

A obra começou por ser dedicada a Lucien Carr mas, a seu pedido, o nome acabou por ser retirado das edições posteriores.

Outros poemas:

 

«America»

Poema conversacional entre o Narrador e os EUA. O tom é quase sempre humorístico e muitas vezes sarcástico, ainda que os temas sejam bastante sérios. São feitas referências a diversos heróis e mártires associados a diferentes movimentos cívicos, como é o caso dos movimentos trabalhistas. O poema pode ser encarado como uma continuação da estratégia utilizada na feitura de Uivo.

De acordo com Ginsberg: «Qual o resultado de mesclarmos frases curtas e longas, com um movimento respiratório enquanto unidade de medida? Não estava confiante no uso do verso livre, portanto vali-me mais uma vez de uma base sólida para suster o ritmo».

 

«A Supermarket in California»

Poema curto acerca de um encontro onírico com Walt Whitman, um dos maiores ídolos do autor. A imagem de Whitman aparece intercalada com visões mundanas de um supermercado, com a comida a ser frequentemente utilizada para metáforas sexuais.

 

«Sunflower Sutra»

Relato de uma estadia com Jack Kerouac num depósito ferroviário, a descoberta de um girassol coberto de terra e a posterior revelação de que tudo aquilo é uma metáfora para a Humanidade. Isto relaciona-se de certa forma com a «Visão Blake», onde o autor conclui que toda a existência está interligada.

 

«Transcription of Organ Music»

Relato de um momento pacífico na sua nova residência em Berkeley, quase vazia, ainda despida de mobília e alguns serviços (o autor não tinha meios para mandar ligar o telefone, por exemplo). O texto está recheado de imagens associadas a «abertura»: portas abertas, tomadas vazias, flores a desabrochar, um útero, redundando na conclusão de que o mundo «está aberto ao novo». As iniciais H.P. referem-se a Helen Parker, uma das primeiras namoradas do autor. Termina com uma nota inspirada em Whitman, na qual confessa o desejo de que as pessoas «lhe façam vénias» e anunciando-se «um ser dotado para a poesia». Apesar da aparente arrogância, a maior parte das afirmações de Ginsberg devem ser interpretadas enquanto ironia. É também aceitável que se trate de mais uma tentativa do autor em assemelhar-se ao ídolo.

No que diz respeito ao texto mais famoso, Uivo, muito se debateu acerca da sua componente política. Há quem sugira que Ginsberg, mais do que qualquer outro poeta americano do século XX, utilizou a Literatura para confessar o seu desacordo com as acções do governo e a agenda obscura da CIA durante o período da Guerra Fria. O autor alegou que esta agência tinha sido parcialmente responsável pelas suas dificuldades em encontrar editores que o publicassem, teoria que mereceu a concordância de alguns analistas, apesar da falta de provas concretas.


Howl

I

I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked,

 

dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix,

angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night,

 

who poverty and tatters and hollow-eyed and high sat up smoking in the supernatural darkness of cold-water flats floating across the tops of cities contemplating jazz,

 

who bared their brains to Heaven under the El and saw Mohammedan angels staggering on tenement roofs illuminated,

 

who passed through universities with radiant cool eyes hallucinating Arkansas and Blake-light tragedy among the scholars of war,

 

who were expelled from the academies for crazy & publishing obscene odes on the windows of the skull,

 

who cowered in unshaven rooms in underwear, burning their money in wastebaskets and listening to the Terror through the wall,

 

who got busted in their pubic beards returning through Laredo with a belt of marijuana for New York,

 

who ate fire in paint hotels or drank turpentine in Paradise Alley, death, or purgatoried their torsos night after night

 

with dreams, with drugs, with waking nightmares, alcohol and cock and endless balls,

incomparable blind streets of shuddering cloud and lightning in the mind leaping toward poles of Canada & Paterson, illuminating all the motionless world of Time between,

 

Peyote solidities of halls, backyard green tree cemetery dawns, wine drunkenness over the rooftops, storefront boroughs of teahead joyride neon blinking traffic light, sun and moon and tree vibrations in the roaring winter dusks of Brooklyn, ashcan rantings and kind king light of mind,

 

who chained themselves to subways for the endless ride from Battery to holy Bronx on benzedrine until the noise of wheels and children brought them down shuddering mouth-wracked and battered bleak of brain all drained of brilliance in the drear light of Zoo,

 

who sank all night in submarine light of Bickford’s floated out and sat through the stale beer afternoon in desolate Fugazzi’s, listening to the crack of doom on the hydrogen jukebox,

 

who talked continuously seventy hours from park to pad to bar to Bellevue to museum to the Brooklyn Bridge,

 

a lost battalion of platonic conversationalists jumping down the stoops off fire escapes off windowsills off Empire State out of the moon,

 

yacketayakking screaming vomiting whispering facts and memories and anecdotes and eyeball kicks and shocks of hospitals and jails and wars,

 

whole intellects disgorged in total recall for seven days and nights with brilliant eyes, meat for the Synagogue cast on the pavement,

 

who vanished into nowhere Zen New Jersey leaving a trail of ambiguous picture postcards of Atlantic City Hall,

 

suffering Eastern sweats and Tangerian bone-grindings and migraines of China under junk-withdrawal in Newark’s bleak furnished room,

 

who wandered around and around at midnight in the railroad yard wondering where to go, and went, leaving no broken hearts,

 

who lit cigarettes in boxcars boxcars boxcars racketing through snow toward lonesome farms in grandfather night,

 

who studied Plotinus Poe St. John of the Cross telepathy and bop kabbalah because the cosmos instinctively vibrated at their feet in Kansas,

 

who loned it through the streets of Idaho seeking visionary indian angels who were visionary indian angels,

 

who thought they were only mad when Baltimore gleamed in supernatural ecstasy,

 

who jumped in limousines with the Chinaman of Oklahoma on the impulse of winter midnight streetlight smalltown rain,

 

who lounged hungry and lonesome through Houston seeking jazz or sex or soup, and followed the brilliant Spaniard to converse about America and Eternity, a hopeless task, and so took ship to Africa,

 

who disappeared into the volcanoes of Mexico leaving behind nothing but the shadow of dungarees and the lava and ash of poetry scattered in fireplace Chicago,

 

who reappeared on the West Coast investigating the FBI in beards and shorts with big pacifist eyes sexy in their dark skin passing out incomprehensible leaflets,

 

who burned cigarette holes in their arms protesting the narcotic tobacco haze of Capitalism,

who distributed Supercommunist pamphlets in Union Square weeping and undressing while the sirens of Los Alamos wailed them down, and wailed down Wall, and the Staten Island ferry also wailed,

 

who broke down crying in white gymnasiums naked and trembling before the machinery of other skeletons,

who bit detectives in the neck and shrieked with delight in policecars for committing no crime but their own wild cooking pederasty and intoxication,

 

who howled on their knees in the subway and were dragged off the roof waving genitals and manuscripts,

 

who let themselves be fucked in the ass by saintly motorcyclists, and screamed with joy,

 

who blew and were blown by those human seraphim, the sailors, caresses of Atlantic and Caribbean love,

 

who balled in the morning in the evenings in rosegardens and the grass of public parks and cemeteries scattering their semen freely to whomever come who may,

 

who hiccuped endlessly trying to giggle but wound up with a sob behind a partition in a Turkish Bath when the blond & naked angel came to pierce them with a sword,

 

who lost their loveboys to the three old shrews of fate the one eyed shrew of the heterosexual dollar the one eyed shrew that winks out of the womb and the one eyed shrew that does nothing but sit on her ass and snip the intellectual golden threads of the craftsman’s loom,

 

who copulated ecstatic and insatiate with a bottle of beer a sweetheart a package of cigarettes a candle and fell off the bed, and continued along the floor and down the hall and ended fainting on the wall with a vision of ultimate cunt and come eluding the last gyzym of consciousness,

 

who sweetened the snatches of a million girls trembling in the sunset, and were red eyed in the morning but prepared to sweeten the snatch of the sunrise, flashing buttocks under barns and naked in the lake,

 

who went out whoring through Colorado in myriad stolen night-cars, N.C., secret hero of these poems, cocksman and Adonis of Denver—joy to the memory of his innumerable lays of girls in empty lots & diner backyards, moviehouses’ rickety rows, on mountaintops in caves or with gaunt waitresses in familiar roadside lonely petticoat upliftings & especially secret gas-station solipsisms of johns, & hometown alleys too,

who faded out in vast sordid movies, were shifted in dreams, woke on a sudden Manhattan, and picked themselves up out of basements hung-over with heartless Tokay and horrors of Third Avenue iron dreams & stumbled to unemployment offices,

 

who walked all night with their shoes full of blood on the snowbank docks waiting for a door in the East River to open to a room full of steam-heat and opium,

 

who created great suicidal dramas on the apartment cliff-banks of the Hudson under the wartime blur floodlight of the moon & their heads shall be crowned with laurel in oblivion,

 

who ate the lamb stew of the imagination or digested the crab at the muddy bottom of the rivers of Bowery,

 

who wept at the romance of the streets with their pushcarts full of onions and bad music,

 

who sat in boxes breathing in the darkness under the bridge, and rose up to build harpsichords in their lofts,

who coughed on the sixth floor of Harlem crowned with flame under the tubercular sky surrounded by orange crates of theology,

 

who scribbled all night rocking and rolling over lofty incantations which in the yellow morning were stanzas of gibberish,

 

who cooked rotten animals lung heart feet tail borsht & tortillas dreaming of the pure vegetable kingdom,

 

who plunged themselves under meat trucks looking for an egg,

 

who threw their watches off the roof to cast their ballot for Eternity outside of Time, & alarm clocks fell on their heads every day for the next decade,

 

who cut their wrists three times successively unsuccessfully, gave up and were forced to open antique stores where they thought they were growing old and cried,

 

who were burned alive in their innocent flannel suits on Madison Avenue amid blasts of leaden verse & the tanked-up clatter of the iron regiments of fashion & the nitroglycerine shrieks of the fairies of advertising & the mustard gas of sinister intelligent editors, or were run down by the drunken taxicabs of Absolute Reality,

 

who jumped off the Brooklyn Bridge this actually happened and walked away unknown and forgotten into the ghostly daze of Chinatown soup alleyways & firetrucks, not even one free beer,

 

who sang out of their windows in despair, fell out of the subway window, jumped in the filthy Passaic, leaped on negroes, cried all over the street, danced on broken wineglasses barefoot smashed phonograph records of nostalgic European 1930s German jazz finished the whiskey and threw up groaning into the bloody toilet, moans in their ears and the blast of colossal steamwhistles,

 

who barreled down the highways of the past journeying to each other’s hotrod-Golgotha jail-solitude watch or Birmingham jazz incarnation,

 

who drove crosscountry seventytwo hours to find out if I had a vision or you had a vision or he had a vision to find out Eternity,

 

who journeyed to Denver, who died in Denver, who came back to Denver & waited in vain, who watched over Denver & brooded & loned in Denver and finally went away to find out the Time, & now Denver is lonesome for her heroes,

 

who fell on their knees in hopeless cathedrals praying for each other’s salvation and light and breasts, until the soul illuminated its hair for a second,

 

who crashed through their minds in jail waiting for impossible criminals with golden heads and the charm of reality in their hearts who sang sweet blues to Alcatraz,

 

who retired to Mexico to cultivate a habit, or Rocky Mount to tender Buddha or Tangiers to boys or Southern Pacific to the black locomotive or Harvard to Narcissus to Woodlawn to the daisychain or grave,

 

who demanded sanity trials accusing the radio of hypnotism & were left with their insanity & their hands & a hung jury,

 

who threw potato salad at CCNY lecturers on Dadaism and subsequently presented themselves on the granite steps of the madhouse with shaven heads and harlequin speech of suicide, demanding instantaneous lobotomy,

 

and who were given instead the concrete void of insulin Metrazol electricity hydrotherapy psychotherapy occupational therapy pingpong & amnesia,

 

who in humorless protest overturned only one symbolic pingpong table, resting briefly in catatonia,

 

returning years later truly bald except for a wig of blood, and tears and fingers, to the visible madman doom of the wards of the madtowns of the East,

 

Pilgrim State’s Rockland’s and Greystone’s foetid halls, bickering with the echoes of the soul, rocking and rolling in the midnight solitude-bench dolmen-realms of love, dream of life a nightmare, bodies turned to stone as heavy as the moon,

 

with mother finally ******, and the last fantastic book flung out of the tenement window, and the last door closed at 4 A.M. and the last telephone slammed at the wall in reply and the last furnished room emptied down to the last piece of mental furniture, a yellow paper rose twisted on a wire hanger in the closet, and even that imaginary, nothing but a hopeful little bit of hallucination—

 

ah, Carl, while you are not safe I am not safe, and now you’re really in the total animal soup of time—

 

and who therefore ran through the icy streets obsessed with a sudden flash of the alchemy of the use of the ellipsis catalogue a variable measure and the vibrating plane,

 

who dreamt and made incarnate gaps in Time & Space through images juxtaposed, and trapped the archangel of the soul between 2 visual images and joined the elemental verbs and set the noun and dash of consciousness together jumping with sensation of Pater Omnipotens Aeterna Deus

to recreate the syntax and measure of poor human prose and stand before you speechless and intelligent and shaking with shame, rejected yet confessing out the soul to conform to the rhythm of thought in his naked and endless head,

 

the madman bum and angel beat in Time, unknown, yet putting down here what might be left to say in time come after death,

 

and rose reincarnate in the ghostly clothes of jazz in the goldhorn shadow of the band and blew the suffering of America’s naked mind for love into an eli eli lamma lamma sabacthani saxophone cry that shivered the cities down to the last radio

 

with the absolute heart of the poem of life butchered out of their own bodies good to eat a thousand years.

 

II

What sphinx of cement and aluminum bashed open their skulls and ate up their brains and imagination?

 

Moloch! Solitude! Filth! Ugliness! Ashcans and unobtainable dollars! Children screaming under the stairways! Boys sobbing in armies! Old men weeping in the parks!

Moloch! Moloch! Nightmare of Moloch! Moloch the loveless! Mental Moloch! Moloch the heavy judger of men!

 

Moloch the incomprehensible prison! Moloch the crossbone soulless jailhouse and Congress of sorrows! Moloch whose buildings are judgment! Moloch the vast stone of war! Moloch the stunned governments!

 

Moloch whose mind is pure machinery! Moloch whose blood is running money! Moloch whose fingers are ten armies! Moloch whose breast is a cannibal dynamo! Moloch whose ear is a smoking tomb!

 

Moloch whose eyes are a thousand blind windows! Moloch whose skyscrapers stand in the long streets like endless Jehovahs! Moloch whose factories dream and croak in the fog! Moloch whose smoke-stacks and antennae crown the cities!

 

Moloch whose love is endless oil and stone! Moloch whose soul is electricity and banks!

 

Moloch whose poverty is the specter of genius! Moloch whose fate is a cloud of sexless hydrogen! Moloch whose name is the Mind!

 

Moloch in whom I sit lonely! Moloch in whom I dream Angels! Crazy in Moloch! Cocksucker in Moloch! Lacklove and manless in Moloch!

 

Moloch who entered my soul early! Moloch in whom I am a consciousness without a body! Moloch who frightened me out of my natural ecstasy! Moloch whom I abandon! Wake up in Moloch! Light streaming out of the sky!

 

Moloch! Moloch! Robot apartments! invisible suburbs! skeleton treasuries! blind capitals! demonic industries! spectral nations! invincible madhouses! granite cocks! monstrous bombs!

 

They broke their backs lifting Moloch to Heaven! Pavements, trees, radios, tons! lifting the city to Heaven which exists and is everywhere about us!

Visions! omens! hallucinations! miracles! ecstasies! gone down the American river!

Dreams! adorations! illuminations! religions! the whole boatload of sensitive bullshit!

Breakthroughs! over the river! flips and crucifixions! gone down the flood! Highs! Epiphanies! Despairs! Ten years’ animal screams and suicides! Minds! New loves! Mad generation! down on the rocks of Time!

 

Real holy laughter in the river! They saw it all! the wild eyes! the holy yells! They bade farewell! They jumped off the roof! to solitude! waving! carrying flowers! Down to the river! into the street!

 

III

Carl Solomon! I’m with you in Rockland

where you’re madder than I am

I’m with you in Rockland

where you must feel very strange

I’m with you in Rockland

where you imitate the shade of my mother

I’m with you in Rockland

where you’ve murdered your twelve secretaries

I’m with you in Rockland

where you laugh at this invisible humor

I’m with you in Rockland

where we are great writers on the same dreadful typewriter

I’m with you in Rockland

where your condition has become serious and is reported on the radio

I’m with you in Rockland

where the faculties of the skull no longer admit the worms of the senses

I’m with you in Rockland

where you drink the tea of the breasts of the spinsters of Utica

I’m with you in Rockland

where you pun on the bodies of your nurses the harpies of the Bronx

I’m with you in Rockland

where you scream in a straightjacket that you’re losing the game of the actual pingpong of the abyss

I’m with you in Rockland

where you bang on the catatonic piano the soul is innocent and immortal it should never die ungodly in an armed madhouse

I’m with you in Rockland

where fifty more shocks will never return your soul to its body again from its pilgrimage to a cross in the void

I’m with you in Rockland

where you accuse your doctors of insanity and plot the Hebrew socialist revolution against the fascist national Golgotha

I’m with you in Rockland

where you will split the heavens of Long Island and resurrect your living human Jesus from the superhuman tomb

I’m with you in Rockland

where there are twentyfive thousand mad comrades all together singing the final stanzas of the Internationale

I’m with you in Rockland

where we hug and kiss the United States under our bedsheets the United States that coughs all night and won’t let us sleep

I’m with you in Rockland

where we wake up electrified out of the coma by our own souls’ airplanes roaring over the roof they’ve come to drop angelic bombs the hospital illuminates itself    imaginary walls collapse    O skinny legions run outside    O starry-spangled shock of mercy the eternal war is here    O victory forget your underwear we’re free

I’m with you in Rockland

in my dreams you walk dripping from a sea-journey on the highway across America in tears to the door of my cottage in the Western night

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