Nasceu em 1942, em Lisboa. Oriundo de uma família da alta burguesia, já que o pai, João Alfredo Lobo Antunes, foi um destacado neurologista português, assistente de Egas Moniz e professor de Medicina e o trisavô foi o 1.º Visconde de Nazaré. É irmão de João Lobo Antunes, neurocirurgião português e ex-membro do Conselho de Estado, Nuno Lobo Antunes, neuropediatra, Miguel Lobo Antunes, programador cultural, Manuel Lobo Antunes, jurista e diplomata português e Pedro Lobo Antunes, arquitecto e membro da assembleia municipal de Torres Novas.
Estudou no Liceu Camões e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Após a conclusão do curso foi destacado como médico militar durante a Guerra Colonial entre 1971 e 1973 no leste de Angola – na Vila Gago Coutinho e no Chiúme – e mais tarde em Malange. As cartas que trocou com a sua primeira mulher, Maria José Lobo Antunes, durante esse período, quando esta se encontrava grávida da sua primeira filha foram posteriormente reunidas em «D’este viver aqui neste papel descripto» pelas suas filhas Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, manuscrito que redundou num filme (Cartas da Guerra) realizado por Ivo Ferreira.
A sua experiência como alferes miliciano está bem patente na sua obra, sendo um tema central em alguns dos livros.
Após o cumprimento do serviço militar, Lobo Antunes especializou-se em Psiquiatria, tendo exercido a especialidade durante alguns anos no Hospital Miguel Bombarda até abandoná-la por completo em favor da Literatura.
O seu primeiro livro publicado foi «Memória de Elefante», em 1979, que se tornou num enorme sucesso literário. Desde então, publicou 29 romances e cinco volumes que reúnem as suas crónicas, publicadas semanalmente na revista Visão.
Foi galardoado com o Prémio Camões (2007), o prémio de maior prestígio da Literatura em Português. Tem uma biblioteca com o seu nome em Nelas, terra onde a sua família tem uma casa construída nos anos 1940 com projecto de João Alfredo Lobo Antunes.
«Os Cus de Judas» foi o segundo romance, seguindo-se, em 1980, «Conhecimento do Inferno». Estes primeiros livros transformaram-no imediatamente num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos no âmbito nacional e internacional.
Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objecto dos mais diversos estudos (académicos ou não) e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais, entre os quais se contam o Prémio Juan Rulfo, 2008, o já mencionado Prémio Camões, 2007, Prémio Jerusalém, 2005, Prémio Ovídio, 2003 e Prémio Europeu de Literatura, 2001. A obra de António Lobo Antunes encontra-se traduzida em inúmeros países e está editada na prestigiosa colecção Pléiade.
Na segunda semana de Setembro de 1975, na casa da família, Diogo, o patriarca, agoniza, ao longo dos cinco dias da festa da povoação. Projecta-se assim para primeiro plano a festa de Monsaraz, no terceiro dia da qual a pega de um touro culminará na sua morte, desenrolando-se os preparativos em simultaneidade com a agonia do ancião, o qual virá a morrer ao mesmo tempo que o animal. Neste contexto, os vários membros da família contam do círculo de ódio em que estão aprisionados, e em que participam, introduzindo-nos nas histórias individuais, e do conjunto, desde crianças.
Ao velho patriarca, a infância sofredora de filho punido a chicote, a traição do irmão e da mulher, a decepção com os filhos, levaram-no a proceder como dono de pessoas e bens, usufruindo do poder e do prazer malévolo de destruição de uns e de outro.










