Sobre o Universo

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Perco por vezes tempo a pensar, o que é desde logo um problema.

Não satisfeito com isso, busco ainda o que outros pensaram, disseram, escreveram sob as mais diversas formas, o que já entra no campo do masoquismo mais empedernido.

Tivesse eu o conforto da apatia, do desinteresse, da crença religiosa, e tudo se resolveria de forma célere e fluída.

Não seria decerto assombrado por todos os livros que se exibem nas estantes, indignados por não terem sido lidos, nem a minha agenda saltaria em mal contido desespero, ao tentar relembrar-me dos restantes que estão por adquirir.

Não seria decerto assombrado por todos os destinos que se exibem no mapa, indignados por não terem sido visitados, nem os guias turísticos saltariam em mal contido desespero, ao tentar relembrar-me que estão por abrir.

Não seria decerto assombrado por todas as ideias que se exibem nos cadernos, indignadas por não terem sido utilizadas, nem os esquemas saltariam em mal contido desespero, ao tentar relembrar-me que estão por cumprir.

Não seria decerto assombrado por todas as pessoas que não conheci, pois nada me garante que devia tê-las conhecido.

Não seria decerto assombrado pelos minutos que já passaram, sem regressar, nem pelos que estão por passar, à beira de serem os últimos.

Porém, se tudo se cumprisse, até ao último átomo?

Restava-me apenas o Universo.

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