Neorrealismo – Mário Dionísio

transferir (1)Crítico, escritor, pintor e professor, viveu entre 1916 e 1993.

Personalidade multifacetada, Mário Dionísio teve uma acção cívica e cultural marcante no século XX português, com particular incidência nos domínios literário e artístico.

Licenciou-se em Filologia Românica em 1940 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino liceal, secundário e, depois do 25 de Abril, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Foi autor de uma obra literária autónoma (poesia, conto, romance). Fez crítica literária e de artes plásticas; realizou conferências, interveio em debates; colaborou em diversas publicações periódicas, entre as quais: «Seara Nova», «Vértice», «Diário de Lisboa», «Gazeta Musical e de todas as Artes». Prefaciou obras de autores como Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires e Alves Redol.

Teve uma forte ligação às artes plásticas. Além da actividade como pintor (desde 1941), foi um dos principais impulsionadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas; integrou o júri da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian; foi autor de inúmeros textos, de diversa ordem, das simples críticas até à publicação de referência que é «A Paleta e o Mundo».

Enquanto artista plástico usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em diversas exposições colectivas, nomeadamente nas Exposições Gerais de Artes Plásticas de 1947, 48, 49, 50, 51 e 53. Realizou a sua primeira exposição individual de pintura em 1989.

Desempenhou um papel de relevo na teorização do Neorrealismo, «movimento literário que, nos anos de 1940 e 1950, à luz do materialismo histórico, valorizou a dimensão ideológica e social do texto literário, enquanto instrumento de intervenção e de consciencialização». No contexto das tentativas de reforma cultural encetada pelos intelectuais dessa corrente, através de palestras e outras acções culturais, «participou num esforço conjunto de aproximar a arte e o público, de que resultou, por exemplo, a obra A Paleta e o Mundo, constituída por uma série de lições sobre a arte moderna. Poeta e ficcionista empenhado, fiel ao ‘novo humanismo’, atento à verdade do indivíduo e às suas dolorosas contradições, acolheu, na sua obra, o espírito de modernidade e as revoluções linguísticas e narrativas da arte contemporânea».

Em Setembro de 2009 abriu ao público a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, fundada em Lisboa em Setembro do ano anterior por mais de meia centena de familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra. Partindo do espólio, interesses e obra de Mário Dionísio, o espaço pretende ser um pólo cultural na cidade de Lisboa.


transferir (2)«Lembro-me perfeitamente de que, ao escrever O Dia Cinzento, não me movia a mínima ambição ‘literária’, mas outra, muito mais ambiciosa e mais ingénua, que era a de acordar naqueles que o lessem a consciência da injustiça social e a necessidade de agirem contra ela».

Eis as palavras que Mário Dionísio nos deixa no prefácio desta antologia e que resumem o espírito de uma obra pouco ou nada aclamada aquando da sua publicação, mas que o passar do tempo tornou uma das mais aplaudidas da nossa literatura. Em 1944, O Dia Cinzento surge numa época de medo, desalento e desesperança, em que as palavras eram censuradas e os sonhos reprimidos. Talvez por isso estas histórias de vidas banais tenham passado despercebidas e o seu verdadeiro propósito não tenha sido reconhecido.

Já em 1967, O Dia Cinzento é de novo publicado, mas desta vez com Outros Contos, escritos na mesma década e que completam este volume de pequenas narrativas sobre pessoas comuns e dispersas, mas que sem o saberem partilham a mesma angústia, a mesma tristeza e a mesma frustração de uma vida desencantada, profundamente cinzenta…

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