Adília César

Como o Exterior define Adília

Nasceu em 1959, em Lagos. Reside actualmente em Faro. Exerce actividade profissional como educadora de infância e formadora no âmbito da Didáctica das Expressões Artísticas. A sua formação académica vai ao encontro dos seus gostos pessoais – todas as formas de educação artística – sendo Mestre em Teatro e Educação, pela Universidade do Algarve.

Os seus poemas têm sido divulgados em espectáculos de música, dança e exposições de pintura. Participa regularmente em eventos culturais e artísticos, nomeadamente apresentações de livros, leituras públicas de poesia, palestras, dinamização de sessões em escolas para professores e alunos do Ensino Secundário e encontros literários.

Tem uma crónica com periodicidade semanal no Algarve Informativo desde Maio de 2017.

Tem colaborações dispersas em antologias e revistas literárias, entre as quais: Nova Águia; Eufeme; Piolho, Estupida, Enfermaria 6, Nervo, Caliban, Pa_lavra, Palavra Comum; Tlön, conVersos, Chicos, Revista Athena, Revista Serta e Projecto Ordem Inversa, além de ensaios e artigos de opinião.

Publicou diversos livros de poesia: «O que se ergue do fogo» (Lua de Marfim, 2016), «Lugar-Corpo» (Eufeme, 2017), «O Tempo O Tempo» (Eufeme, 2019), Uma agulha no coração (Urutau, 2020) e «Gelo» (Busílis Poesia – Trinta Por Uma Linha, 2021).

É co-fundadora do projecto literário LÓGOS – Biblioteca do Tempo.

 

 

Como Adília se define

 

Só tem uma ruga – a da linha de escrita. Se não se chamasse Adília César o seu nome seria Baudília ou Monadília, e depois de ter descoberto a Área Branca naturalmente chamar-se-ia Fiamadília. Adília é singular – o seu ser está na primeira pessoa. Tem uma voz parecida com os poemas que escreve e ama de olhos bem abertos. Nunca escreveu uma ode, nem quando está em viagem, mas é capaz de despertar a Europa num só verso. Adília é o lugar-corpo da poesia com uma agulha no coração. Está bem acordada durante o dia e não toma Xanax; talvez por isso o seu lado negro esteja sempre à espreita. Detesta vermes e poluição sonora. Quando tropeça e cai, levanta-se muito rapidamente para ninguém ver: é o que se ergue do fogo. Nunca recebeu postais de férias nem telegramas com notícias amargas. Adília podia ser uma Deusa: tem um discurso sonhador e escreve poemas contra o tempo o tempo. Desde criança que ela deseja ser uma Sereia coberta de pérolas, mas a Ria Formosa ainda não lhe fez a vontade. É fundadora da Sociedade dos Espaços Vazios Entre As Palavras.


Adília César reúne seu arsenal afectivo e sensorial para traçar a cartografia da memória e de uma mitologia pessoal. Na tessitura do poema fecunda seu diálogo com um território íntimo e físico, sendo o coração e a casa receptáculos simbólicos de uma evocação lírica. Se para a poeta «o mapa do lar é um labirinto» onde confluem tensões e apreensões, nele faz a catarse das pulsões e ambiguidades do ser. Nessa autópsia de «acontecimentos, emoções, equívocos, patologias» deslinda-se um cenário em que objectos, espaços, lembranças, fantasmas e obsessões falam sobre «este lugar-corpo»: o amor. Em sofisticado discurso poético desvela o «espectro que funde o lado de dentro com o lado de fora» e à maneira de Saint-Exupéry reconhece que, em meio à relatividade dos sentimentos, «o essencial ainda está invisível em todas as equações».

 

Ronaldo Cagiano, escritor brasileiro

 

 

Este livro poderia ser uma Poética do espaço, à maneira de Bachelard, só que este apenas escreve os lugares felizes. Aqui, deparamo-nos com uma iniciação à casa do pó, que desvela, camada a camada, o estado de graça e a ferida de habitar a memória da partilha da casa, mas também o seu vazio que arrasta o sujeito poético para o desmoronamento do ser. «Penso insistentemente sobre a casa» é, efectivamente, o grande tema que perpassa o livro. Só que este pensar é táctil, indesligável do sentir o corpo em plena perda. O corpo a cair com um rumor veemente e obstinado, que nos convoca e impele a entrar no «meticuloso» universo da casa, a percorrer a sua corporeidade que apela a um tu ausente. A casa está para os seus objectos como o corpo para os seus órgãos. Na perspectiva fenomenológica, trata-se de uma poética da doação recíproca de identidade entre o eu, escrito no feminino, e a casa. A presença da casa como sombra, e por isso tempo, dá-se como universo completo do que foi, e a ruína do que é tinge o próprio nome das coisas.

Tudo é revés, avesso, noite e, no entanto, habitável como lugar, simultaneamente amado e perfurante, um lugar escrito cujo futuro será a felicidade que aguarda os leitores.

Rosa Alice Branco, poeta

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