Paul Auster

images (1)Nasceu em 1947. É escritor e realizador. Entre as obras mais conhecidas encontram-se A Trilogia de Nova Iorque (1987), «Palácio da Lua» (1989), «A Música do Acaso» (1990), «O Livro das Ilusões» (2002), «As Loucuras de Brooklyn» (2005), «Invisível» (2009), «Sunset Park» (2010), «Diário de Inverno» (2012), e «4 3 2 1» (2017).

Paul Auster nasceu em Newark, Nova Jérsia, numa família judia de classe média, com ascendência polaca. Cresceu na zona de South Orange.

Depois de se licenciar na Universidade de Columbia, em 1970, muda-se para Paris, onde ganha a vida como tradutor de Literatura Francesa. Regressa aos EUA em 1974, onde se estabelece como escritor, publicando poemas, ensaios e romances, bem como algumas traduções de autores franceses como Stéphane Mallarmé e Joseph Joubert.

Após uma bem-sucedida estreia com um livro de memórias intitulado «Inventar a Solidão», Auster ganha fama com uma colectânea de três histórias superficialmente ligadas entre si, conhecida como A Trilogia de Nova Iorque. Apesar dos textos remeterem para o género policial, não são histórias policiais vulgares em redor de um mistério e respectivas pistas. Em vez disso, o autor socorre-se do género policial para abordar dilemas existenciais como a Identidade, Espaço, Linguagem e Literatura, dando origem a um certo pós-modernismo (e crítica pós-modernista).

Ainda segundo Auster: «(…) a Trilogia é uma natural evolução de ‘Inventar a Solidão’».

A busca pela Identidade e sentido para a Vida continuam a ser os temas dos livros seguintes, focados sobretudo no papel do Acaso e da Coincidência («A Música do Acaso») ou na relação entre pessoas e meio envolvente («O Livro das Ilusões», «Palácio da Lua»). Os protagonistas de Auster cumprem quase sempre o papel de marionetas em misteriosos e grandiosos esquemas e maquinações alheias. Em 1995, o autor aventurou-se no Cinema, escrevendo e realizando «Fumo» e a sequela «Blue in the Face».

Em 2012, Auster afirmou numa entrevista que se recusava a visitar a Turquia, em protesto pela forma como os jornalistas estavam a ser tratados naquele país. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, reagiu com desprezo: «E precisamos de si para alguma coisa? Que nos importa que venha cá ou não…». O autor voltou à carga: «De acordo com os mais recentes números, existem quase 100 escritores turcos aprisionados no país, situação que está a ser cuidadosamente analisada».

A sua obra mais recente, «A Life in Words», saiu em Outubro de 2017. Reúne três anos de conversas do autor com o académico dinamarquês I.B. Siegumfeldt acerca de cada um dos seus livros, quer de ficção quer de não-ficção. É considerado um testemunho essencial para o entendimento da visão literária de Auster e do seu processo de trabalho.

Muitas das teorias iniciais acerca da obra do autor faziam ligações às filosofias de escritores franceses como Jacques Lacan ou Jacques Derrida. Auster negou tais teses, declarando por escrito: «Li apenas um curto ensaio de Lacan, numa revista literária datada de 1966». Outros teóricos encontram nele influências de autores americanos do séc XIX, como Henry David Thoreau e Ralph Waldo Emerson. Estes defendiam que a civilização moderna separou o Homem da ordem natural das coisas, pelo que só com um regresso à Natureza, imitando o descrito por Thoreau na sua obra «Walden», seria possível recuperar esta ordem natural.

Edgar Allan Poe, Samuel Beckett e Nathaniel Hawthorne são também influências importantes na escrita de Auster. Este chega ao ponto de mencionar personagens das obras de Poe e Hawthorne nos seus romances, como é o caso de William Wilson em «Cidade de Vidro» ou Fanshawe em «O Quarto Fechado», ambos pertencentes à Trilogia.

 

Temas Recorrentes

 

 – Coincidência;

 – Vida frugal;

 – Sensação de desastre iminente;

 – Figura do escritor obsessivo enquanto narrador e/ou protagonista;

 – Incompreensão;

 – Incapacidade de comunicar (linguagem);

 – Penúria financeira (ter bastante dinheiro mas perdê-lo lentamente, sem conseguir refazer as poupanças);

 – Vida Comum;

 – Falhanço;

 – Ausência de um Pai;

 – Metaficção;

 – Intertextualidade;

 – História e Geografia Americanas.

Segundo a crítica:

Auster construiu para si um dos nichos mais proeminentes da literatura contemporânea, nos últimos 25 anos. A partir de Cidade de Vidro, o primeiro volume da Trilogia, o autor foi aperfeiçoando um estilo escorreito e confessional, utilizado para descrever protagonistas em apuros numa sociedade aparentemente familiar, mas que tombam sem apelo numa atmosfera desconfortável, dominada por uma vaga ameaça e precursora de possível alucinação. Os enredos – sustentados por elementos do suspense, existencialismo e autobiografia – despertam o interesse dos leitores, embora por vezes os obrigue a reflectir sobre a verdadeira natureza do que acabaram de ler.

A propósito de «4 3 2 1»:

Auster tem mantido o seu público interessado nos últimos 30 anos, questionando as convenções da narrativa, mesclando as fronteiras entre ficção e autobiografia, recheando os livros com referências à Literatura e ao Cinema, além de reflectir sobre a arte da narrativa, sem recorrer a um distanciamento intelectualóide e retórico, mas abrindo a janela do espanto, da gratidão, do atrevimento e de um sentido de humor espontâneo. (…) A sua ficção é plena de labirintos cósmicos e complexidade emocional. Chega-nos agora o seu livro mais capaz, exigente, rico, emocionante, erótico, audacioso, divertido e reflexivo. (…) Auster está ao leme de um grandioso projecto, não só acerca do processo narrativo, mas também da eterna questão existencial Natureza-Conforto, a eterna dança entre hereditariedade e livre-arbítrio, propósito e acaso, sonhos e destino. Esta investigação complexa sobre o conceito de «e se» é também um ensaio fascinante acerca da multidão de facetas contraditórias que aprisionamos num só corpo. Uma homenagem à juventude, desejo, livros, criatividade e imprevisibilidade da vida, o enredo desdobra-se num quarteto onde o autor explana a sua devoção à Literatura e à Arte. Segundo Auster ‘…combinar o bizarro e o comum: a isso aspirava Ferguson, analisar o mundo com o detalhe de um fervoroso realista mas encontrar também um modo de o ver através de uma lente distinta e ligeiramente distorcida’. O autor cumpre este e outros objectivos no seu opus virtuoso, magnânimo e entusiasmante.

Auster foi casado com a escritora Lydia Davis. Tiveram um filho, Daniel Auster.

Paul e a segunda mulher, a também escritora Siri Hustvedt (filha do professor e académico Lloyd Hustvedt), casaram-se em 1981 e vivem em Brooklyn. Juntos tiveram uma filha, Sophie Auster.

O autor confessou que se situa «muito à esquerda do Partido Democrata» mas que acaba por votar neste porque não acredita que um candidato verdadeiramente socialista possa ganhar. Apelida os Republicanos de «terroristas» e considera a eleição de Donald Trump «a coisa mais inacreditável que alguma vez assistiu em política».


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Oficialmente apresentadas como exemplos do género policial, as histórias que formam A Trilogia de Nova Iorque têm sido analisadas enquanto «meta-policial», «anti-policial», «mistérios acerca de mistérios», «abordagem humorística ao género policial», «mescla entre policial e nouveu roman», entre outros exemplos. Tal abre a porta para que Auster seja considerado um escritor pós-moderno, cuja obra sofre influências desse «movimento literário clássico» pertencente às décadas de 60 e 70 do século XX, conhecido como pós-modernismo americano. Contudo, também se encontra «uma certa coerência discursiva e narrativa, uma abordagem neorrealista e uma evidente responsabilidade social e moral que extravasam a simples metaficção e outros aspectos subversivos», facto que o distingue dos escritores pós-modernos «tradicionais». A obra revela-se um policial pós-moderno muito particular, «que ainda utiliza os elementos familiares do género, embora os associe à experimentação, metaficção e ironia – pilares do pós-modernismo».

 

Cidade de Vidro

A primeira história apresenta-nos um autor de livros policiais que se transforma em detective privado e que acaba por enlouquecer à medida que se deixa enredar num determinado caso. O texto explora diferentes camadas de «identidade» e realidade, desde o Paul Auster autor do romance, até ao «autor» anónimo que se refere a tais factos como sendo reais, passando por um outro «Paul Auster» também escritor e personagem da história e ainda um derradeiro «Paul Auster» detective, que pode ou não ser uma mera alucinação. Existem ainda dois «Peter Stillman», um jovem e um idoso, e a terminar, o verdadeiro protagonista Daniel Quinn.

Cidade de Vidro estabelece uma relação de intertextualidade com «D. Quixote», de Cervantes. Para além do protagonista Daniel Quinn partilhar as iniciais do nome com o cavaleiro (D.Q.), quando o primeiro encontra o «Paul Auster» escritor, este está ocupado a escrever um artigo sobre a verdadeira autoria da obra «D. Quixote».

 

Fantasmas

A segunda história aborda o percurso de um detective privado chamado Blue, treinado por Brown, que investiga um homem conhecido como Black, em Orange Street, para um cliente de nome White. Blue entrega relatórios a White, que lhe paga pelo serviço. Blue acaba por se desmotivar com o trabalho e lentamente apropria-se da vida de Black.

 

O Quarto Fechado

Aqui, conhecemos a história de um escritor que não tem qualidade suficiente para produzir textos de ficção. Fanshawe, o seu amigo de infância, exibe pelo contrário esse talento. Quando este último desaparece, o primeiro acaba por publicar-lhe o trabalho e tomar o lugar dele na família.

O título refere-se ao conhecido «mistério do quarto fechado», um subgénero muito popular nos primórdios do género policial.

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