Alexandre Dumas


Viveu entre 1802 e 1870. As suas obras foram traduzidas em inúmeras línguas e trata-se de um dos autores franceses mais lidos em todo o mundo. Muitos dos seus romances históricos, plenos de aventuras, começaram por ser publicados no formato folhetim, incluindo «O Conde de Monte Cristo» Os Três Mosqueteiros, «Vinte Anos Depois» e «The Vicomte of Bragelonne: Dez Anos Depois». As suas obras têm sido adaptadas, desde os primórdios do século XX, ao Cinema, tendo originado perto de 200 filmes.

Autor prolífico em vários géneros, Dumas iniciou a carreira literária enquanto dramaturgo, atingindo sucesso imediato. Dedicou-se ainda à produção de inúmeros artigos jornalísticos e livros de viagens, num total de 100 mil páginas editadas. Fundou, em 1840, o Théâtre Historique em Paris.

O pai, General Thomas-Alexandre Dumas Davy de la Pailleterie, nasceu na colónia francesa de Santo Domingo (actual Haiti) filho de Alexandre Antoine Davy de la Pailleterie, um nobre francês e Marie-Cessette Dumas, uma escrava africana. Com a idade de 14 anos, Thomas-Alexandre viajou com pai até França, onde iniciou os estudos numa academia militar e incorporou em seguida o Exército, ponto de partida para uma gloriosa carreira.

A linhagem do pai de Alexandre ajudou-o a obter trabalho junto de Louis-Philippe, Duque de Orleães e depois na carreira literária, que se revelou de sucesso. Décadas mais tarde, com a eleição de Napoleão III em 1851, Dumas perdeu regalias e abandonou França, rumo à Bélgica (onde permaneceu alguns anos) e depois à Rússia, onde ficou outra temporada até optar por Itália. Em 1861, fundou e editou o jornal L’Indépendent, cujas páginas defendiam a unificação italiana. Acabou por regressar a Paris, em 1864.

Apesar de ser casado, obedecia aos hábitos da alta sociedade francesa e alimentava numerosos casos amorosos (alegadamente mais de 40). Teve pelo menos quatro filhos ilegítimos e alguns estudiosos admitem que podem ter sido sete. Reconheceu e auxiliou um deles, também Alexandre Dumas, na sua carreira de escritor e dramaturgo, tendo ficado conhecidos como Alexandre Dumas père (pai) e Alexandre Dumas fils (filho).

Entre as conquistas, destaca-se a que ocorreu em 1866, quando o autor se envolveu com Adah Isaacs Menken, uma actriz americana com menos de metade da sua idade e no pico da carreira.

O dramaturgo inglês Watts Phillips, que privou com Dumas nos seus últimos anos, descreve-o como:

O ser humano mais generoso e bondoso do mundo. Era também divertido, encantador e vaidoso. Tinha uma língua semelhante a um moinho – uma vez posta em movimento não sabia quando parar, sobretudo se o tema de conversa fosse ele próprio.

 

Dumas Davy de la Pailleterie (mais tarde conhecido como Alexandre Dumas) nasceu em 1802, em Villers-Cotterêts, Picardy, no norte de França. Tinha duas irmãs mais velhas, Marie-Alexandrine e Louise-Alexandrine. Os pais eram Marie-Louise Élisabeth Labouret, filha de um estalajadeiro e o já referido Thomas-Alexandre Dumas.

Quando começou a trabalhar para Louis-Philippe, Dumas ocupava o tempo a escrever artigos para revistas e peças de teatro. Já em adulto, escolheu o nome de escrava da avó, imitando o gesto do pai. A sua primeira peça, surgida em 1829 quando o autor tinha apenas 27 anos, foi recebida com entusiasmo. No ano seguinte, a segunda peça, «Christine», teve igual sucesso. Este contexto permitiu-lhe obter rendimentos suficientes para se dedicar à escrita de forma exclusiva.

Em 1830, Dumas integrou-se na Revolução que depôs Charles X e colocou no poder o seu antigo patrão, o Duque de Orleães. Ao longo dessa década, a vida em França permaneceu agitada, observando-se revoltas ocasionais de republicanos descontentes, associados a operários citadinos em busca de melhor vida. Com o progressivo acalmar das hostilidades, o país iniciou o processo de industrialização. A consequente melhoria da economia, associada ao fim da censura na imprensa, revelou-se contexto fértil para as capacidades literárias do autor.

Após mais algumas peças de sucesso, Dumas optou por se dedicar aos romances. Embora alimentasse um estilo de vida extravagante – gastando sempre mais do que ganhava – o autor provou igualmente ser dono de apurado sentido mercantilista. Uma vez que os jornais publicavam muitos romances em formato folhetim, Dumas decidiu, em 1838, adaptar uma das suas peças, «Le Capitaine Paul», a esse formato. Criou um estúdio de produção e recheou-o de escritores que lhe entregavam centenas de histórias – todas elas sujeitas ao seu crivo e palavra final.

Entre 1839 e 1841, o autor (com a ajuda de vários amigos), organizou «Crimes Famosos», uma colecção de oito volumes de ensaios acerca de criminosos célebres. Neles incluiu os casos de Beatrice Cenci, Martin Guerre, Cesare e Lucrezia Borgia, bem como os de Karl Ludwig Sand e Antoine François Desrues.

Dumas colaborou a certa altura com Augustin Grisier, o seu mestre de esgrima, na feitura do romance deste último em 1840, intitulado precisamente «O Mestre de Esgrima». O enredo foca-se no testemunho de Grisier acerca de acontecimentos revoltosos ocorridos na Rússia. A obra foi banida nesse país pelo czar Nicolau I e Dumas viu-se proibido de atravessar a fronteira russa até à morte do monarca. O autor refere-se ao amigo de forma respeitosa em «O Conde de Monte Cristo» e nas suas memórias.

Dumas dependia de inúmeros assistentes e colaboradores, dos quais se destacou Auguste Maquet. A importância deste só foi cabalmente esclarecida no século XX. O autor escreveu a dado momento o conto «Georges» (1843), no qual se encontram ideias e enredos que serviram de inspiração para o posterior «O Conde de Monte Cristo». Maquet processou Dumas de modo a obter direitos autorais e um aumento de salário, tendo sido bem sucedido no último ponto mas fracassando no primeiro.

Os romances de Alexandre tornaram-se tão populares que rapidamente mereceram tradução para inglês e outras línguas. O seu talento valeu-lhe considerável soma de dinheiro, mas este estava quase sempre insolvente, já que mantinha gastos extravagantes com mulheres e outros luxos. Em 1846, construiu uma propriedade rural nos arredores de Paris – o enorme Castelo de Monte Cristo – ao qual acrescentou uma ala transformada em estúdio de trabalho. O local estava quase sempre recheado de estranhos e conhecimentos superficiais, que se deixavam ficar durante longos períodos, aproveitando-se da generosidade do anfitrião. Dois anos mais tarde, afogado em dívidas, foi obrigado a vender a propriedade.

Dumas dedicou-se a múltiplos géneros, tendo produzido cerca de 100 mil páginas no seu tempo de vida. Serviu-se também das experiências acumuladas, escrevendo livros de viagens após efectuá-las, mesmo as que não estavam associadas ao lazer. O autor viajou por Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e Algéria. Com a queda do rei Louis-Philippe (antigo Duque de Orleães), no seguimento de mais uma revolta, chegou ao poder Napoleão III. Como este não morria de amores pelo autor, Dumas fugiu para Bruxelas em 1851, sendo também um meio de fugir aos credores. Por volta de 1859, mudou-se para a Rússia, país onde o francês era a segunda língua entre as elites e onde as suas obras gozavam de grande popularidade. O autor passou dois anos nesse país, tendo visitado São Petersburgo, Moscovo, Kazan, e outros locais, sempre em busca de aventuras. Publicou, naturalmente, livros de viagem sobre a Rússia.

Em 1861, foi proclamado o reino de Itália, sendo o rei escolhido Victor Emmanuel II. Dumas mudou-se para esse país e por lá ficou nos três anos seguintes, colaborando no movimento de unificação. Nesse período, tornou-se amigo de Giuseppe Garibaldi, por quem já tinha antiga admiração e com quem se associou nos ideais do liberalismo e republicanismo italianos, tendo-se ainda tornado membro da Maçonaria. De regresso a França em 1864, publicou livros de viagens sobre Itália.

Apesar da linhagem aristocrática e do sucesso profissional, o autor teve de lidar frequentemente com a discriminação provocada pela sua genética mestiça. Ficou famosa a sua resposta a um homem que o insultou a propósito desse tema:

O meu pai era mulato, o meu avô era negro e o meu bisavô era um macaco. Como vê, meu caro, a minha linhagem começa onde a sua termina.

Em 1840, Dumas casou-se com a actriz Ida Ferrier. Como vimos, teve inúmeros casos com outras mulheres, que originaram pelo menos quatro filhos:

 – Alexandre Dumas, filho. Tornou-se num escritor e dramaturgo reputado;

 – Marie-Alexandrine Dumas;

 – Micaëlla-Clélie-Josepha-Élisabeth Cordier;

 – Henry Bauer.

Por volta de 1866, Dumas teve um caso com Adah Isaacs Menken, uma conhecida actriz americana. Esta tinha obtido sucesso recente em Londres e Paris, encontrando-se no topo da carreira.

Juntamente com Victor Hugo, Charles Baudelaire, Gérard de Nerval, Eugène Delacroix e Honoré de Balzac, Dumas era membro do Clube dos Hashischins, que se reunia mensalmente num hotel parisiense para consumir haxixe. A obra «O Conde de Monte Cristo» contém várias referências a esta droga.

Quando faleceu, no final de 1870, Dumas foi enterrado na sua terra natal. A notícia da sua morte acabou por passar relativamente despercebida, tendo em conta a Guerra Franco-Prussiana, que decorria na mesma altura. Com o surgimento de novas modas literárias, a sua popularidade também diminuiu. Contudo, já nos finais do século XX, vários estudiosos fomentaram um ressurgimento da sua fama, tendo mesmo sido descobertos trabalhos que se julgavam perdidos.

Em 1970, foi dado o seu nome a uma estação de metro parisiense e a sua propriedade na província – o Castelo de Monte Cristo – foi restaurada e transformada num museu aberto ao público.

Já em 2002, no bicentenário do nascimento do autor, o presidente Jacques Chirac liderou uma cerimónia de homenagem, anunciando a transladação das cinzas de Dumas para o Panteão de Paris, onde já se encontram outras figuras proeminentes. Aquando do anúncio, os habitantes da cidade natal do escritor, Villers-Cotterets, começaram por se opor ao processo, relembrando que Dumas tinha deixado escrito nas suas memórias o desejo de permanecer na sua terra. Apesar disso, a situação foi mesmo desbloqueada e o corpo do autor foi mesmo transladado e colocado num caixão, de modo a ser transportado para o novo túmulo. O evento mereceu honras de transmissão televisiva. O caixão foi coberto com um pano de veludo azul e carregado por quatro membros da Guarda Republicana, vestidos com uniformes de mosqueteiro, numa procissão pelas ruas de Paris, até ao Panteão. No seu discurso, afirmou Chirac:

Através de si, fomos D’Artagnan, Monte Cristo, ou Balsamo, a cavalgar pelas estradas de França, a visitar campos de batalha, a conhecer palácios e castelos – através de si, sonhámos.

Chirac reconheceu ainda os problemas de ordem racista sentidos pelo autor na França da sua época e explicou que tal cerimónia pretendia de alguma forma remediar esse erro, uma vez que Alexandre Dumas estava desse modo a ser equiparado a outros grandes camaradas de letras, como Victor Hugo e Émile Zola. Fez ainda notar que embora França tenha produzido inúmeros escritores de sucesso, nenhum atingiu a popularidade de Dumas.


Romance histórico de aventuras escrito em 1844. Insere-se na categoria de «romances de capa e espada», recheados de espadachins heróicos e cavalheirescos, que se dedicam a lutar em nome da Justiça.

A acção decorre entre 1625 e 1628, focando-se nas aventuras vividas por um jovem chamado D’Artagnan (personagem inspirado em Charles de Batz-Castelmore d’Artagnan) depois da sua partida da terra natal rumo a Paris, na esperança de conseguir juntar-se ao Corpo de Mosqueteiros da Guarda Real. Apesar de não conseguir ser aceite de imediato nesta tropa de elite, o protagonista estabelece uma amizade com três dos melhores mosqueteiros da época – Athos, Porthos e Aramis, «os três mosqueteiros» ou «os três inseparáveis» – e acaba envolvido em assuntos de Estado e da Corte.

O livro é na sua essência um romance histórico de aventura, mas o autor aproveita para denunciar várias injustiças, abusos e incongruências do Antigo Regime, emprestando ao enredo um significado político suplementar, à data da publicação, uma vez que as querelas entre republicanos e monárquicos estavam ainda na ordem do dia. O manuscrito começou por sair em formato folhetim, entre Março e Julho de 1844, quatro anos antes da Revolução Francesa de 1848 que redundou na violenta implementação da Segunda República.

A história de D’Artagnan é depois continuada em «Vinte Anos Depois» e «The Vicomte of Bragelonne: Dez Anos Depois».

Dumas anuncia que o seu romance nasceu a partir de um conjunto de manuscritos recuperados, emprestando ao caso um interesse adicional. No Prefácio, explica ter sido inspirado por um excerto da obra «Mémoires de Monsieur d’Artagnan» (1700), um romance histórico da autoria de Gatien de Courtilz de Sandras, que encontrou no decurso da sua pesquisa para a biografia de Luís XIV. De acordo com o escritor, o episódio no qual d’Artagnan relata a sua primeira visita a M. de Tréville, capitão dos mosqueteiros, e o momento em que se deparou com os nomes Athos, Porthos e Aramis, impressionaram-no de tal modo que decidiu continuar a investigar.

Até aqui, fala verdade – tudo o que se segue é ficção:

Mais tarde, voltou a deparar-se com os nomes daqueles três mosqueteiros noutro manuscrito, intitulado «Mémoire de M. le comte de la Fère». Dumas «pediu autorização» para imprimir o documento e obteve-a:

Bom, esta é a primeira parte do precioso manuscrito que colocamos ao dispor dos leitores. (…) Se (e disso não duvidamos) esta obtiver o sucesso que merece, publicaremos de imediato a segunda.

Além disso, uma vez que padrinhos são segundos pais, como se costuma dizer, apelamos ao leitor para nos responsabilizar (em vez do Conde de la Fère) pela alegria ou aborrecimento causados.

Tal esclarecido, prossigamos com a história.

«Os Três Mosqueteiros» foi escrito em colaboração com Auguste Maquet, que também trabalhou com Dumas nas sequelas e ainda em «O Conde de Monte Cristo». Maquet tinha a função de sugerir linhas orientadoras para o enredo, após aturada investigação histórica. A partir daí, Dumas adensava a trama, retirava personagens, acrescentava outras e recheava os parágrafos com o seu estilo inconfundível.

 

Enredo

 

França, 1625. D’Artagnan despede-se da sua família na Gascónia (actual zona de Bordéus) e ruma a Paris, com o objectivo de se juntar ao Corpo de Mosqueteiros. Numa antiga estalagem em Meung-sur-Loire, um homem mais velho troça do cavalo do protagonista. Ofendido, este exige bater-se em duelo. Em vez disso, os amigos do outro atingem D’Artagnan com uma panela, deixando-o inconsciente, para além de lhe partirem a espada. A carta de apresentação que transportava, destinada ao senhor de Tréville, comandante dos mosqueteiros, é roubada. D’Artagnan promete vingar-se daquele indivíduo, que se descobre mais tarde ser o Conde de Rochefort, um subalterno do Cardeal Richelieu. Este está em aparente conluio com uma espia, Lady de Winter, mais conhecida como Milady de Winter ou simplesmente «Milady».

Em Paris, D’Artagnan encontra-se por fim com o senhor de Tréville no quartel-general dos Mosqueteiros, mas desprovido da carta, este último vê-se obrigado a recusar amavelmente a candidatura. Contudo, escreve por sua vez uma carta de apresentação a ser entregue numa academia para jovens recrutas, instituição que poderá tornar o candidato mais apto numa futura tentativa. Da janela de Tréville, D’Artagnan repara em Rochefort, que passa na rua em baixo, e precipita-se pelas escadas de modo a confrontá-lo, mas nesse gesto ofende três mosqueteiros – Athos, Porthos e Aramis – que pedem todos eles satisfações: ou seja, D’Artagnan terá de enfrentar cada um deles em duelo, nessa mesma tarde.

No momento em que o protagonista se apresta para o primeiro embate, nota que os padrinhos de Athos são Porthos e Aramis, que ficam atónitos quando se apercebem que o jovem provinciano pretende enfrentar todos. Ao iniciar-se a contenda, surgem os guardas do Cardeal Richelieu e dão ordem de prisão aos mosqueteiros sob a acusação de participação em duelos ilegais. Embora em inferioridade de quatro para cinco, os mosqueteiros saem vencedores. D’Artagnan fere com gravidade Jussac, um dos oficiais do Cardeal e espadachim conceituado. Ao saber disto, o Rei Luís XIII autoriza a entrada do jovem na companhia Des Essart, integrante da Guarda Real e oferece-lhe quarenta moedas.

D’Artagnan contrata um serviçal de nome Planchet, arranja alojamento e apresenta-se ao senhor des Essart, cujo regimento tem reputação inferior à dos mosqueteiros, mas onde ele terá de servir ao longo de dois anos antes de poder sonhar com uma mudança. Pouco depois, o senhorio queixa-se ao protagonista do rapto da sua mulher, Constance Bonacieux. Resolvida a situação, D’Artagnan apaixona-se por ela assim que a vê. Esta serve a Rainha Ana, que mantém um caso amoroso secreto com o Duque de Buckingham. O Rei Luís XIII ofereceu à mulher um colar de diamantes, mas esta por sua vez ofereceu-o ao amante, como prova de fidelidade. O Cardeal Richelieu, interessado num conflito bélico entre a França e a Inglaterra, planeia expor o caso e sugere que o Rei peça à Rainha para que esta use o colar numa festa, patrocinada pelo próprio Cardeal.

Constance envia o marido a Londres, de modo a que este consiga reaver a jóia, mas o mesmo deixa-se manipular por Richelieu e acaba por não ir, obrigando D’Artagnan e alguns amigos a interceder. Na viagem, os subalternos do Cardeal lançam constantes ataques ao grupo, pelo que apenas D’Artagnan e Planchet conseguem chegar a Londres. Entretanto, o protagonista ataca e quase liquida o Conde de Wardes, amigo do Cardeal, primo de Rochefort e amante de Milady. Embora esta consiga roubar dois componentes do colar, o Duque trata de substituí-los e até adiar o regresso dos ladrões a Paris. D’Artagnan consegue assim devolver a peça de joalharia completa à Rainha, em cima do prazo, mas a tempo de salvar-lhe a honra. Em troca, esta oferece-lhe um anel.

Logo a seguir, o jovem inicia uma ligação com a senhora Bonacieux. Devido a isso, um dia ao chegar a casa depara-se com vestígios de um confronto e acaba por descobrir que Rochefort e o senhor Bonacieux, obedecendo a ordens do Cardeal, atacaram e aprisionaram Constance. O grupo de amigos, já refeito dos ferimentos, regressa a Paris. D’Artagnan tem então a possibilidade de conhecer de forma oficial Milady de Winter e identifica-a enquanto aliada do Cardeal, mas acaba por se deixar encantar por ela até ouvir da criada desta que a patroa não tem qualquer interesse nele. Ainda assim, invade os aposentos de Milady, aproveitando o escuro, e finge ser o Conde de Wardes para tentar possuí-la. No processo, nota-lhe uma Flor-de-lis tatuada no ombro, que denuncia a outra enquanto criminosa. Apercebendo-se do logro, Milady tenta matá-lo, mas este escapa. É então destacado para o Cerco de La Rochelle.

Entretanto, é informado que a Rainha libertou Constance da prisão. Numa estalagem, os mosqueteiros apercebem-se de uma conversa entre o Cardeal e Milady, na qual o primeiro pede à mulher para que esta assassine o Duque de Buckingham, um apoiante da facção protestante em La Rochelle, que enviou tropas para os auxiliar. Richelieu dá-lhe uma carta na qual se confirma o perdão pelo futuro crime (por este representar um pedido expresso do Cardeal) mas Athos intercepta-a.

Na manhã seguinte, este aposta com os companheiros D’Artagnan, Porthos e Aramis que todos eles, na companhia dos respectivos serviçais, serão capazes de manter inviolado durante uma hora o reconquistado bastião de St. Gervais, enquanto debatem sobre o futuro. Acabam por aguentar uma hora e meia antes da retirada, abatendo um total de 22 inimigos. D’Artagnan torna-se oficialmente um mosqueteiro, à conta da proeza.

Decidem então avisar Lord de Winter e o Duque de Buckingham. Milady é detida ao chegar a Inglaterra mas trata de seduzir um guarda de nome Felton e convence-o não só a libertá-la mas a matar, ele próprio, o Duque. Ao regressar a França, esconde-se num convento, onde também está Constance. A ingénua rapariga deixa-se amparar por Milady, que vê na situação uma oportunidade para se vingar de D’Artagnan e não perde tempo a envenenar fatalmente a outra, antes que ele consiga impedi-la. Os mosqueteiros acabam por detê-la antes de esta contactar o Cardeal. Levam-na a julgamento e condenam-na à morte.

Após a execução da sentença, os quatro amigos regressam ao Cerco de La Rochelle. O Conde de Rochefort prende D’Artagnan e leva-o diante do Cardeal. Ao ser questionado por este acerca da morte de Milady, o protagonista apresenta a carta do Cardeal, como se a mesma se referisse ao seu caso. Genuinamente impressionado com as capacidades do mosqueteiro e de certa forma aliviado com a morte da pérfida mulher, Richelieu destrói o documento e escreve outro, concedendo ao portador uma promoção a Tenente no Corpo de Mosqueteiros de Tréville. D’Artagnan oferece a carta a Athos, Porthos e Aramis mas todos recusam. Athos porque é demasiado orgulhoso, Porthos porque se vai reformar e casar com uma amante rica e Aramis porque tenciona juntar-se a uma ordem religiosa. D’Artagnan, de coração partido e envolto em múltiplos arrependimentos, aceita todavia a promoção que sempre desejara.

 

Personagens

 

Mosqueteiros

 – Athos – Conde de la Fère. Nunca se restabeleceu do casamento falhado com Milady e procura conforto no vinho. Torna-se uma figura paternal para D’Artagnan.

 – Porthos – Senhor de Vallon. Um diletante, apreciador das melhores roupas e decidido a juntar fortuna. O menos racional do grupo, fraqueza compensada pela sua extraordinária força física e grande carácter.

 – Aramis – René d’Herblay. Um jovem atraente que hesita entre a sua vocação religiosa e o seu gosto por mulheres e artimanhas.

 – D’Artagnan – Charles de Batz de Castelmore d’Artagnan. Jovem estouvado, corajoso e astuto que sonha tornar-se mosqueteiro do Rei.

 

Serviçais dos Mosqueteiros

 – Planchet – Um jovem da região de Picardy, que chama a atenção de Porthos na Ponte de la Tournelle, enquanto cospe para o rio. Porthos acha-lhe graça e contrata-o para ser o serviçal de D’Artagnan. Revela-se um auxiliar corajoso, inteligente e fiel.

 – Grimaud – Um bretão. Athos é um patrão rígido, que só autoriza o serviçal a falar em caso de emergência. Este comunica quase sempre por linguagem gestual.

 – Mousqueton – Um normando, cujo nome original é Boniface. Porthos, contudo, decide encontrar-lhe um nome mais sonante. Mostra-se um candidato a diletante, tão vaidoso como o patrão. Em vez de receber salário, é pago com provisões e roupas muito acima da média, fazendo bom uso das antigas vestimentas do patrão.

 – Bazin – Natural de Berry, Bazin é um homem religioso que anseia pelo dia em que o seu mestre (Aramis) se junte a uma ordem religiosa, uma vez que o seu desejo foi sempre o de servir um homem da Igreja.

 

Outros

 – Milady de Winter – Uma bela e cruel espia do Cardeal, em tempos esposa de Athos. D’Artagnan faz-se passar por um dos seus amantes de modo a possuí-la, o que provoca nela um ódio mortal.

 – Rochefort – Outro subalterno do Cardeal. No seguimento do primeiro confronto entre ambos, nos arredores de Paris, D’Artagnan jura vingar-se. Perde diversas oportunidades para isso, mas os seus caminhos voltam a cruzar-se no final do romance.

 – Constance Bonacieux – Costureira e confidente da Rainha. Depois de ser salva por D’Artagnan das mãos do Cardeal, torna-se no objecto do seu grande amor. Fica-lhe sempre grata pela protecção e apoio recebidos, mas o relacionamento entre ambos nunca se torna efectivo.

 – Senhor Bonacieux – Marido de Constance. Começa por requisitar a ajuda de D’Artagnan para salvar a mulher das mãos do Cardeal, mas ao ser preso, descobre que é mais vantajoso entender-se com Richelieu. Acaba por se voltar contra a esposa e colabora mesmo em novo plano para a raptar.

 – Kitty – serviçal de Milady de Winter. Detesta a patroa e adora D’Artagnan.

 – Lord Winter – irmão do segundo marido de Milady, que sofreu morte misteriosa (aparentemente envenenado por ela). É ele que aprisiona a espia quando esta chega a Inglaterra e decide condená-la ao exílio. Mais tarde, colabora no seu julgamento final.

 

Personagens históricos

 – Rei Luís XIII – Retratado por Dumas como um monarca de fraca índole, quase sempre manipulado por colaboradores.

 – Rainha Ana – A infeliz rainha de França.

 – Cardeal Richelieu – Armand Jean du Plessis, colaborador directo do Rei que tenta prejudicar a Rainha depois de ter sido rejeitado por esta. Dumas afirma que este tem 36 ou 37 anos, apesar do mesmo já estar nos 40, em 1625.

 – Senhor de Tréville – Capitão dos Mosqueteiros e de certa forma mentor de D’Artagnan, embora lhe caiba um papel breve no enredo.

 – George Villiers, Duque de Buckingham – Homem atraente e carismático, habituado a controlar os acontecimentos – pouco lhe incomoda, por exemplo, dar início a uma guerra entre Inglaterra e França, por motivos pessoais. O seu jogo de sedução com a Rainha Ana coloca a mesma em dificuldades.

 – John Felton – Militar puritano, destacado para ser o guarda da prisioneira Milady. De nada servem os avisos que recebe, deixando-se seduzir e enganar por esta no espaço de poucos dias. Mata o Duque de Buckingham para agradá-la.

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