Paul Verlaine

Viveu entre 1844 e 1896. Poeta associado ao movimento Simbolista e Decadentista. Considerado um dos grandes representantes do espírito de fin de siècle na poesia francesa e internacional.

 

Nascido em Metz, Verlaine frequentou o Lycée Impérial Bonaparte (hoje Lycée Condorcet), em Paris, tendo depois encontrado emprego na função pública. Ainda muito jovem, começou a escrever poesia, tendo sido de início influenciado pelo movimento parnasiano e pelo seu líder, Leconte de Lisle. O primeiro poema editado pelo autor saiu em 1863, na revista «La Revue du progrès», fundada pelo poeta Louis-Xavier de Ricard. Verlaine começou também a frequentar o salão da Marquesa de Ricard (mãe do mencionado Louis-Xavier de Ricard), bem como outros locais semelhantes, onde encontrava os mais famosos artistas da época: Anatole France, Emmanuel Chabrier, o poeta e humorista Charles Cros, o cínico idealista e anti burguês Villiers de l’Isle-Adam, Théodore de Banville, François Coppée, José-Maria de Herédia, Leconte de Lisle, Catulle Mendes, entre outros. Publicou uma primeira colectânea em 1866, chamada «Poemas Saturnianos», que apesar de algumas críticas lhe granjeou uma reputação de poeta «original e prometedor».

Mathilde Mauté casou-se com Verlaine em 1870. A Terceira República foi proclamada no mesmo ano e o poeta alistou-se na Guarda Nacional, embora tenha escapado aos sangrentos confrontos que irromperam em 1871.

Regressou a Paris em Agosto desse ano, tendo recebido uma primeira carta de Arthur Rimbaud (admirador da sua poesia) em Setembro. Verlaine sugeriu então que o outro o visitasse e por volta de 1872 tinha já perdido o interesse em Mathilde, abandonando-a (e ao filho de ambos) para usufruir da companhia de Rimbaud, que se transformou no seu amante. O tórrido caso entre ambos arrastou-os para Londres. Mais tarde, em Julho de 1873, e numa altura em que o relacionamento se degradava, Paul – tomado por uma raiva ciumenta e alcoolizada – disparou dois tiros de pistola na direcção de Rimbaud, ferindo-o no pulso esquerdo, embora sem gravidade.

No seguimento, acabou preso, tendo-se reconvertido ao catolicismo. A transformação teve directo impacto na sua escrita, provocando fortes críticas do ex-amante.

Outra colectânea de poemas, «Romances sans paroles», editada em 1874, reuniu poemas escritos entre 1872 e 1873, nascidos das memórias nostálgicas e nem sempre fidedignas do relacionamento que manteve com Mathilde, por um lado, e por outro dos ensaios impressionistas saídos da sua aventura intermitente com Rimbaud. O livro foi publicado numa altura em que o autor ainda se encontrava preso.

Ao ser libertado, Verlaine regressou a Inglaterra, tendo exercido durante alguns anos as funções de professor – de Francês, Latim, Grego e Desenho. Neste período, organizou mais uma colectânea de sucesso, de seu nome Sageza. Voltou a França em 1877, mantendo as funções de professor (agora de Inglês), numa escola em Rethel. Apaixona-se por um dos alunos, chamado Lucien Létinois, contexto que o inspirou a prosseguir com a poesia. Fica devastado quando o seu novo amor falece, vítima de tifo, em 1883.

Os últimos anos do poeta foram marcados pela queda na toxicodependência, alcoolismo e pobreza. Alternava entre pardieiros e hospitais públicos, passando os dias a beber absinto nos cafés de Paris. O público, no entanto, tratou de manter viva a sua obra, apoio que lhe valeu algum retorno financeiro. A poesia voltou a circular, a atitude pública e estilo de vida granjearam-lhe um culto, tendo o autor sido eleito, em 1894, «príncipe dos poetas» pelos admiradores.

A obra de Verlaine passou a ser considerada um marco, servindo de inspiração para compositores clássicos, como Claude Debussy.

Contudo, as dependências do autor acabaram por minar-lhe a vida. Faleceu em Paris, com apenas 51 anos, corria o ano de 1896, tendo sido enterrado no Cimetière des Batignolles.

O escultor Rodo ergueu-lhe um busto, em 1911, que permanece nos Jardins do Luxemburgo, em Paris.

Grande parte da poesia surgida no período conhecido como fin de siècle era considerada «decadente», devido ao conteúdo macabro ou moral associada. A ilustrar esse facto, Verlaine cunhou a expressão «poeta maldito», em 1884, para se referir a um conjunto de autores como Stéphane Mallarmé, Arthur Rimbaud, Aloysius Bertrand, Comte de Lautréamont, Tristan Corbière ou Alice de Chambrier, que tinham, todos eles, lutado contra as convenções poéticas e sofrido as consequências disso – alternando entre o desprezo ou o insulto da crítica literária e da sociedade. Ainda assim, depois da publicação do «Manifesto Simbolista» de Jean Moréas, em 1886, este novo grupo de actores na cena literária passou a ser conhecido como «simbolista», sobretudo Verlaine, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry e Albert Samain. Abordavam temas comuns à filosofia de Schopenhauer, nomeadamente nas referências ao livre-arbítrio, fatalidade e poder do subconsciente, depois mescladas com sexo (prostitutas), urbano, fenómenos irracionais (delírios, sonhos, narcóticos, álcool) e rodeados de uma atmosfera vagamente medieval.

Na poesia, a estética simbolista – tal como exemplificado por Verlaine – passa pela utilização de alusões subtis em detrimento de afirmações concretas (a retórica está banida) e pela evocação de emoções e sentimentos através da magia das palavras e da repetição de sons, associada à cadência do verso (musicalidade) e à inovação métrica.

Verlaine explana com grande detalhe o seu estilo tipicamente decadente no poema «Arte Poética». Noutros textos menciona o primado da musicalidade e a importância da discrição, pregando contra «frases assertivas, inteligência cruel e riso impuro». Segundo o autor, um poema deverá ser «um acontecimento feliz».


 

 

 

Publicada em 1881, revelou-se uma obra importante para os movimentos simbolista e modernista. Debruça-se acima de tudo sobre o tema do «amadurecimento» e suas variantes.

 

 

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