Manuel Vásquez Montalbán

Viveu entre 1939 e 2003. Jornalista, romancista, poeta, ensaísta, crítico e outras coisas.

Manuel Vázquez Montalbán nasceu em Barcelona, a 14 de Junho de 1939. Os pais, contudo, só o registaram a 27 de Julho, o que provocou alguma confusão ao longo dos anos. Estudou Filosofia na Universidade Autónoma de Barcelona e fez-se membro do Partido Socialista Unificado da Catalunha. Passou 18 meses na prisão ao participar de forma solidária numa greve de mineiros, em 1962.

Começou a escrever poesia em 1967. Foi incluído nos «Novíssimos» de Jose María Castellet – um grupo poético que adoptou o nome de uma antologia organizada pelo referido crítico, onde se reuniram trabalhos da maioria dos poetas mais jovens e experimentais da década de 70. Os poemas do autor escritos até 1986 foram reunidos na colectânea «Memoria y deseo».

Transportou depois as mesmas características literárias que usava na poesia para os romances. Os Mares do Sul, obra integrante da série Pepe Carvalho, venceu o Prémio Planeta em 1979 e trouxe fama ao autor e à personagem criada (um detective). Este seria mais tarde retratado em filmes, séries televisivas e banda desenhada. Em 1988, publicou um livro infantil chamado «Escenas de la Literatura Universal y Retratos de Grandes Autores», pelo Círculo de Lectores. A obra contém factos curiosos, informação diversa, fotografias e ilustrações do artista alemão Willi Glasauer. Entre os autores mencionados contam-se: Ramón del Valle-Inclán, Gabriel García Márquez, Hermann Hesse, Agatha Christie, Federico García Lorca, William Shakespeare, Samuel Beckett, Günter Grass, Marguerite Duras, Miguel de Cervantes, Elias Canetti, Johann Wolfgang von Goethe, Albert Camus, Jonathan Swift, Virginia Woolf, Franz Kafka, Doris Lessing, Vladimir Nabokov, Jorge Luis Borges, James Joyce, Jean-Paul Sartre, Thomas Mann, William Faulkner e Ernest Hemingway.

Entre os romances, destaque para «Galíndez» (1991), vencedor do Prémio Narrativa, «O Estrangulador» (1994) e «Erec e Enide» (2002). Em 1992 publicou ainda «Autobiografía do General Franco», vencedor do Prémio Internacional de Literatura Ennio Flaiano, em 1994.

Durante muitos anos, contribuiu com artigos e peças jornalísticas para o diário El País, sediado em Madrid.

In 1974, foi o autor do libreto para uma ópera-poema de Salvador Dalí, intitulada «Être Dieu».

Vázquez Montalbán era também um gastrónomo. Referências ao tema podem ser encontradas em todos os romances da série Pepe Carvalho, incluindo algumas receitas como o famoso «arroz tagliatelle fideuà» preparado por Carvalho em «Os Pássaros de Banguecoque». Exibe ainda todo o seu conhecimento, com erudição e humildade, no livro «Contra los Gourmets», uma iniciação ao mundo da gastronomia. O conteúdo foca-se sobretudo na cozinha espanhola, mas aborda também a cozinha internacional, tradicional e nouvelle cuisine. Comenta ainda certas modas, como a «cozinha saudável» e os «produtos light». Outros trabalhos do autor sobre culinária incluem «L’art del menjar a Catalunya», «Recetas inmorales» e «Reflexiones de Robinsón ante un bacalao».

Enquanto ensaísta, publicou trabalhos sobre Jornalismo, Política, Sociologia, Desporto, História, Culinária, Biografia, Literatura e Música. O primeiro ensaio, «Informe sobre la Información» (1963) é ainda hoje considerado um dos melhores estudos sobre Jornalismo alguma vez publicados em Espanha.

O primeiro romance onde surge a famosa personagem de nome Pepe Carvalho, um detective gastrónomo de 50 anos, é «Yo maté a Kennedy» (1972), seguindo-se «Tatuaje» (1975) e «La soledad del manager» (1977).

O autor morreu em Banguecoque, Tailândia, em 2003, quando se preparava para regressar a casa após uma digressão na Austrália. O derradeiro livro, «La aznaridad», foi editado postumamente.


Romance publicado em 1979. Provavelmente o mais importante da série protagonizada pelo detective Pepe Carvalho. O jornal «El Mundo» incluiu-o na sua lista de 100 melhores romances em língua espanhola do séc. XX. No ano da publicação venceu o Prémio Planeta e em 1981 o Grande Prémio da Literatura Policial, em França.

O enredo foca-se em Carlos Stuart Pedrell, um influente homem de negócios que se presumia em viagem pelos mares do Sul ao longo de um ano inteiro, mas que aparece esfaqueado num solar abandonado, num bairro periférico. O amigo e advogado, Sr. Viladecans, contrata Pepe Carvalho para que este descubra os verdadeiros passos da vítima, que afinal nunca esteve na Polinésia. Mais do que encontrar o assassino, importa entender em que negócios esteve Carlos metido. Carvalho, à medida que deslinda o caso, revela alguém fascinado por Gauguin, obcecado por seguir-lhe os passos e imerso numa teia formidável e repleta de contradições.

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